Eleições municipais

Haddad, sem força na periferia e rejeitado até por petistas em pesquisa

Levantamento do Datafolha revela Russomanno liderando e disputa embolada por terceiro lugar

O deputado federal Celso Russomanno, que lidera a disputa.
O deputado federal Celso Russomanno, que lidera a disputa.A. Augusto (Ag. Câmara)

A três meses da eleição e ainda com um número alto de paulistanos indecisos, Haddad tem 8% das intenções de voto, embolado em terceiro lugar com Luiza Erundina, do PSOL, com 10% e João Doria, do PSDB, com 6%. A margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais. Na dianteira isolada, está Celso Russomanno, do PRB, com 25%, e a ex-petista Marta Suplicy, do PMDB, com 16%. Entre os eleitores mais pobres, com renda média de até dois salários mínimos, Haddad conta com a preferência de apenas 7%. Russomanno é o mais popular neste estrato social, com 26% das intenções de voto. Marta vem logo em seguida, com 21%. O melhor desempenho do petista, cujas bandeiras de gestão, como as ciclovias, são bem vistas em setores de classe média, ocorre justamente no outro extremo social: entre os eleitores que recebem mais de dez salários mínimos, Haddad tem a preferência de 16%, e lidera nesse segmento empatado com o empresário tucano Doria.

Mais informações

O levantamento divulgado nesta sexta também mostra uma mudança no perfil do eleitor do petista do ponto de vista geográfico. A região da cidade onde Haddad tem melhor desempenho é no centro, com a preferência de 19% deste eleitorado local, atrás apenas de Russomanno, com 21%. Nas outras regiões da capital ele vai mal: 11% nas zonas Norte e Oeste, 9% na Sul e apenas 5% na Leste, um dos maiores colégios eleitorais de São Paulo. 

Outro problema para a Haddad é a taxa de rejeição, a maior entre todos os pré-candidatos da disputa: 45%, seguido pelo pastor Marco Feliciano (PSC), com 32%. Nem entre os eleitores que preferem o PT ele ganha alívio:  26% dos eleitores identificados com a legenda não pretendem votar nele. Neste ponto, ele tem desempenho pior até do que Marta Suplicy (22% de veto), que há poucos meses fez uma ruidosa saída do PT e votou pelo impeachment de Dilma Rousseff. Tanto pelo desempenho na periferia como entre os petistas, Marta se mostra uma ameaça para o prefeito pelo recall que a senadora ainda tem com suas bases eleitorais. Se o nicho é o "voto de opinião" progressista, aí seu espaço é disputado com a também ex-petista Erundina.

Os defensores de Haddad lembram que em 2012, nessa mesma época, o petista tinha apenas 7% dos votos, e conseguiu ser eleito com uma disparada na reta final da disputa. Mas, naquele período, o PT ainda não estava mergulhado até o pescoço na crise política, e Haddad ainda não era um rosto conhecido da população, portanto, livre de rejeição. O desafio é ainda maior porque o PT jamais levou uma eleição sem os bairros do cinturão vermelho, que há décadas oferecem maioria de votos ao partido e somam mais de 4,1 milhões de eleitores de um total de 8,7 milhões da capital. A derrota do candidato petista ao Governo do Estado Alexandre Padilha em 2014 em alguns destes distritos já indicava que a situação na região estava mudando em desfavor à legenda.

A incógnita Russomanno

O candidato do PRB larga bem neste início de campanha, com a preferência de 25% dos eleitores. Mas contra ele pesam dois fatores que podem fazer água em suas ambições. O primeiro – e mais grave - é um processo contra ele que tramita no Supremo Tribunal Federal por peculato (desvio de dinheiro). Em 2014 ele foi condenado em primeira instância, e agora, casos os ministros confirmem a sentença Russomanno estará fora da corrida eleitoral por ser enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Ele não poderá disputar eleição alguma por oito anos.

Além disso, o candidato terá que se cuidar para que suas intenções de voto não derretam na reta final, como aconteceu em 2012, quando ele liderou as pesquisas até a véspera do pleito. À época ele acabou sendo alvo na mídia e nos debates por não ter apresentado plano de Governo e por ter laços com a Igreja Universal, do qual o PRB é espécie de braço político, além de ter apresentado plano controverso para as tarifas de transporte.

Caso a candidatura de Russomanno seja barrada pelo Supremo, a pesquisa Datafolha aponta um cenário com duas mulheres ex-petistas indo ao segundo turno. Sem deputado do PRB na disputa, Marta lideraria com 21% das intenções de voto, seguida por Erundina, com 13%. Este cenário aponta vitória da peemedebista com 39% ante 33% de Erundina no segundo turno.