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Refúgio para os vulneráveis

Acordo para realojar 160.000 candidatos ao asilo é executado com lentidão exasperadora

Campo de refugiados de Idomeni.
Campo de refugiados de Idomeni.Kostas Tsironis (REUTERS)

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Nas próximas semanas finalmente chegará à Espanha um grupo de 200 refugiados procedentes da Itália e da Grécia e outros 386 vindos do Líbano e da Turquia, em cumprimento do acordo assumido perante a União Europeia (UE). O acordo para realojar 160.000 candidatos ao asilo é executado com lentidão enfurecedora, ao passo que o pacto feito entre a UE e a Turquia para conter a movimentação corre sério risco. Todos sabiam que era um remendo sem garantias para permitir à UE se esquivar de uma grave crise interna, mas ninguém imaginava que, poucos dias depois de assiná-lo, o errático presidente Erdogan demitiria o primeiro-ministro que o tinha negociado e recuaria, negando-se a modificar as leis antiterrorismo, como a UE exige para implementar o acordo e isentar do visto os cidadãos turcos.

O resultado é que o acordo faz água; chegam menos refugiados, mas todos param na Grécia; o fechamento das fronteiras os impede de sair. A crise se agrava, e pioram as condições de vida dos migrantes. O EL PAÍS tenta contribuir para mitigar sua penúria com o projeto Refugio del sonido (refúgio do som), proposta que reúne em quatro livros com discos canções interpretadas por alunos do Berklee College of Music, com música e letra de Javier Limón. Participam da iniciativa diversas personalidades da música e da cultura, e a receita obtida — a venda, neste e nos três próximos domingos, com o jornal impresso, na Espanha — será entregue à organização Médicos sem Fronteiras.

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