Coreia do Norte fará seu primeiro congresso partidário em 36 anos

Comunistas se reunirão a partir de 6 de maio, tendo pela primeira vez Kim Jong-un como líder

O líder norte-coreano, Kim Jong-Un, comanda os testes de um míssil submarino.
O líder norte-coreano, Kim Jong-Un, comanda os testes de um míssil submarino.KCNA (REUTERS)

A Coreia do Norte confirmou nesta quarta-feira que o seu partido único, o Partido dos Trabalhadores, realizará a partir de 6 de maio, em Pyongyang, o seu primeiro congresso em quase quatro décadas. Será a sétima reunião geral na história do partido, mas a primeira sob o comando de Kim Jong-un. O último congresso comunista aconteceu em outubro de 1980, quando o atual dirigente não tinha nem nascido.

O anúncio da imprensa estatal não dá detalhes sobre a pauta ou duração do congresso. As mensagens do primeiro-secretário do partido, o próprio Kim Jong-un, serão analisadas com lupa em busca de sinais sobre sua intenção de manter ou não o programa de armas nucleares e sobre seus planos para estimular a estancada economia norte-coreana. Mudanças no alto escalão do regime, se houver, também podem dar pistas sobre os rumos da nação mais isolada do mundo.

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Em março de 2013, Kim anunciou seu desejo de manter uma linha política que busca simultaneamente o desenvolvimento nuclear e o crescimento econômico. Analistas preveem que o jovem ditador aproveitará a inédita reunião para defender essa tese e sacramentar seu poder à frente do partido, quase cinco anos depois de herdar o poder de seu pai, Kim Jong-Il, no final de 2011.

Segundo a agência estatal KCNA, as conferências partidárias provinciais “foram realizadas com sucesso” e já elegeram os delegados que viajarão a Pyongyang. No último congresso, havia mais de 3.000 representantes. O ministério sul-coreano da Unificação, que monitora os assuntos da Coreia do Norte, informou que a reunião deverá durar quatro ou cinco dias – a última durou quatro.

O encontro ocorre num momento de aguda tensão entre o país e a comunidade internacional. Em represália a um teste nuclear e ao disparo de um foguete de longo alcance, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou novas sanções econômicas ao regime, as mais duras da história. Pyongyang reagiu fazendo mais testes e, segundo Seul, se prepara para levar a cabo “a qualquer momento” o quinto teste de armas nucleares da sua história, e o segundo neste ano.

Alguns analistas afirmam que o teste poderá acontecer imediatamente antes do congresso, numa demonstração interna de força. “Precisamos estar abertos a todas as possibilidades no que tange a outro teste nuclear. Continuaremos observando a situação de perto”, disse o porta-voz do Ministério da Unificação, Jeong Joon-ji, segundo a agência de notícias sul-coreana Yonhap.

Nos últimos meses, a Coreia do Norte se gabou de ter alcançado vários marcos no desenvolvimento do seu programa de armas nucleares. O regime afirma já ser capaz de miniaturizar bombas atômicas para que possam ser instaladas em ogivas de longo alcance. Os analistas duvidam, mas admitem certos avanços. No sábado, a Coreia do Norte anunciou o teste bem sucedido de um míssil balístico de médio alcance a partir de um submarino.