Obama pede à Europa mais gastos em defesa para lutar contra o Estado Islâmico

"Europa foi em ocasiões autocomplacente com sua própria segurança", disse o presidente

O presidente dos EUA, Barack Obama, testa na segunda-feira óculos de realidade virtual na Feira de Hannover com a chanceler alemã, Angela Merkel. KEVIN LAMARQUE (reuters_live)

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, utilizou as últimas horas de sua viagem à Europa para pedir aos líderes do continente que aumentem os gastos em segurança. “A Europa foi alguma vezes autocomplacente em sua própria defesa”, disse o líder norte-americano na segunda-feira em um discurso apaixonadamente europeísta no qual alertou contra as vozes “que falam alto” e que oferecem soluções contrárias a um continente unido, em paz, liberal e aberto. “Esse é um momento que marcará uma época. O que acontecer na Europa terá consequências em todo o mundo”, afirmou na Feira Industrial de Hannover.

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Obama utilizou palavras amáveis aos seus anfitriões – “Vim ao coração da Europa para dizer-lhes o que conseguiram. Algumas vezes é preciso que alguém de fora o diga”, disse entre os aplausos de um público majoritariamente jovem –, mas acompanhadas de uma crítica e uma exigência. A Europa deve assumir sua parte na segurança internacional, e deve se envolver mais na luta contra o autoproclamado Estado Islâmico, que é, de acordo com suas palavras, “a ameaça mais urgente às nossas nações”.

A necessidade de um envolvimento militar maior foi uma das questões que o presidente norte-americano conversará com a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, François Hollande, e os primeiros-ministros do Reino Unido, David Cameron, e da Itália, Matteo Renzi, na mini-reunião organizada por Merkel desta segunda-feira no Palácio Herrenhausen de Hannover.

A reunião com os cinco líderes é o encerramento de uma viagem na qual Obama levou à Europa diversas mensagens políticas: a defesa da permanência do Reino Unido na UE, o incentivo ao tratado de livre comércio negociado entre Bruxelas e Washington, o respaldo à política de refugiados da chanceler Merkel e, agora, a necessidade de um envolvimento europeu maior na luta contra o EI.

Obama também anunciou que os EUA reforçarão sua presença na Síria com 250 soldados para preparar as forças sírias que lutam contra os jihadistas do EI. As novas tropas se unirão aos 50 membros das forças especiais mobilizados desde o final do ano passado no país.