'Panama Papers'

Dirigente próximo a Mauricio Macri é citado nos ‘Panama Papers’

Néstor Grindetti controlou empresa no Panamá quando era da prefeitura de Buenos Aires

Mauricio Macri, presidente da Argentina.
Mauricio Macri, presidente da Argentina.David Fernandez (EFE)

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O escândalo dos Panama Papers golpeou o entorno próximo do presidente da Argentina, Mauricio Macri, já envolvido diretamente no caso depois da descoberta de que foi conselheiro de uma empresa com sede nas Bahamas. A investigação realizada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês) revelou que Néstor Grindetti, ex-secretário de Fazenda da prefeitura de Buenos Aires, controlou uma firma no Panamá entre julho de 2010 e julho de 2013, período em que Macri era prefeito da cidade.

Grindetti hoje é prefeito do município de Lanús, vizinho à capital argentina, como parte da aliança governista Mudemos. Seu principal capital político é a amizade com o presidente nos últimos 30 anos, desde os tempos em que Grindetti era executivo da Socma, empresa da família Macri. Os documentos do Panamá revelaram que o atual prefeito de Lanús geriu, por procuração, uma companhia offshore chamada Mercier Internacional. Os documentos do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, fonte de todos esses vazamentos do ICIJ, não revelam quem eram os acionistas da empresa, por se tratar de documentos emitidos “ao portador”.

Em nota, Grindetti disse que de fato recebeu uma “procuração para a administração geral” da empresa, mas que “nunca foram registrados movimentos econômicos nessa sociedade”. É a mesma explicação que Macri deu a respeito da sua própria empresa, com sede nas Bahamas.

As alegações de Grindetti não satisfizeram nem mesmo os aliados do Governo, e muito menos a oposição. Elisa Carrió, uma das principais referências do Mudemos e aliada do presidente, não poupou Grindetti, apesar da sua conhecida proximidade com Macri. “Grindetti não tem explicação. Sempre suspeitei que fosse um corrupto, e não me enganei”, disse.

Não há dúvidas de que Grindetti se tornou um personagem incômodo para o Governo. E não só pelas declarações de Carrió. Até o chefe de Gabinete, Marcos Peña, pareceu deixar o aliado em queda livre. Durante uma entrevista coletiva convocada para esclarecer situação do presidente, Peña foi evasivo ao falar sobre Grindetti. “O prefeito de Lanús emitiu nota a respeito do tema. O mais importante é que a informação seja a mais precisa possível”, esquivou-se o ministro.

Outro funcionário salpicado pelo escândalo foi o secretário nacional de Direitos Humanos, Claudio Avruj, que consta como diretor de uma offshore chamada Kalushi. A fonte nesse caso não foi o escritório Mossack Fonseca, e sim o Registro Público do Panamá, um órgão público e de livre acesso. Avruj respondeu imediatamente à divulgação da sua suposta responsabilidade na Kalushi e negou qualquer crime. Segundo sua versão, em 1992 e 1993 ele precisou solicitar residência legal no Panamá por causa do seu trabalho como representante da organização judaica de direitos humanos B’nai B’rith.

“A organização constituiu, através de seus representantes, a sociedade anônima Kalushi, para efeitos de cumprir a norma trabalhista local e permitir a Avruj que estabelecesse sua residência naquele país”, afirmou em nota a Secretaria de Direitos Humanos da Argentina.