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Polícia Civil pede prisão preventiva de ex-presidente da Samarco por desastre de Mariana

Inquérito responsabiliza sete pessoas por rompimento de barragem da mineradora, em Mariana (MG)

Cenário de destruição depois do rompimento da barragem
Cenário de destruição depois do rompimento da barragemFelipe Dana (AP)
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A Polícia Civil pediu nesta terça-feira a prisão preventiva do presidente licenciado da mineradora Samarco, Ricardo Vescovi, e de mais sete pessoas que estariam envolvidas com o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). A tragédia deixou 19 mortos e um rastro de destruição, em novembro do ano passado. 

Todos foram indiciados por homicídio qualificado com dolo eventual (quando, ao agir, uma pessoa assume o risco), inundação e crime de corrupção ou poluição de água potável. O rompimento da barragem fez com que os rejeitos da mineradora se espalhassem por todo o Rio Doce até o litoral do Espírito Santo (a mais de 600 km de distância), atingindo mais de 40 cidades entre os dois Estados.

Além de Vescovi, o pedido de prisão também vale para outros cinco funcionários com cargos de direção, gerência e técnicos da mineradora. São eles: Kléber Terra, diretor licenciado de operações, Germano Lopes, gerente de projetos, Wagner Milagres, gerente de operações, Wanderson Silvério, coordenador técnico, e a gerente de geotecnia, Daviely Rodrigues. Além deles, Samuel Loures, responsável pelos relatórios técnicos sobre a barragem e funcionário da VogBr, que prestava serviços para a Samarco, também foi indiciado.

O inquérito da Polícia Civil, aberto um dia depois da tragédia, em novembro passado, foi apresentando nesta segunda-feira. Ele aponta que diversas falhas e negligência no monitoramento da situação da barragem foram as causas do desastre. O delegado Rodrigo Bustamante, responsável pelo inquérito, qualificou esse como “o maior desastre ambiental da história do país”.

Durante o inquérito, foram ouvidas mais de 80 pessoas, entre elas Ricardo Vescovi, que pediu licença do cargo para cuidar da defesa em outra investigação, feita pela Polícia Federal. Ele e outros diretores da mineradora foram indiciados pela PF em um processo que investiga crimes ambientais, que são da esfera federal.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o advogado Leonardo Marinho, que representa a VogBR e o engenheiro Samuel Loures, lamentou o pedido de prisão preventiva e afirmou que a Polícia Civil não ouviu ninguém da empresa durante o processo. Marinho ainda disse que o papel de seu cliente era emitir um “relatório anual de inspeção”. "Ele coletou dados, em julho, dos 12 meses anteriores, e calculou um coeficiente de segurança. De julho até novembro, se passaram quatro meses. A barragem cresceu quatro metros nesse período. Pode parecer pouco em altura, mas não em volume", disse o advogado ao jornal.

A Samarco está em negociações com o Governo para pagar cerca de 20 bilhões de reais pelo desastre. O acordo, que deve ser fechado até a próxima sexta-feira, prevê a realização de dezenas de programas de recuperação ambiental, social e econômica na região do Rio Doce. Por nota, a empresa disse considerar "equivocados" os indiciamentos e o pedido de prisão preventiva e que vai aguardar a decisão da justiça para tomar as providências cabíveis. Também afirmou que está colaborando com as autoridades e que desde a tragédia iniciou uma investigação externa sobre o caso com uma "empresa de renome".

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