WikiLeaks

Julian Assange diz que se entregará à polícia caso a ONU decida contra ele

Fundador do WikiLeaks está asilado desde 2012 na Embaixada do Equador em Londres

Assange, na embaixada equatoriana em Londres em 2012. OLIVIA HARRIS REUTERS / REUTERS-LIVE (reuters_live)

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, asilado desde 2012 na Embaixada do Equador em Londres, afirmou nesta quinta-feira que se entregará na sexta à polícia britânica se as Nações Unidas rejeitarem sua denúncia contra os Governos da Suécia e Reino Unido por detenção arbitrária. A BBC afirma, sem citar fontes, que o grupo de trabalho da ONU para as detenções ilegais decidirá a favor do divulgador de sigilos.

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Os especialistas que analisam o caso para a ONU em Genebra prometem divulgar sua sentença nesta sexta-feira às 11h (8h em Brasília). O chamado grupo de trabalho sobre detenções arbitrárias, presidido por um sul-coreano e integrado por outros três especialistas, analisa cerca de 400 casos de supostas detenções arbitrárias a cada ano, segundo um porta-voz da Comissão de Direitos Humanos da ONU.

Em nota divulgada pela conta do WikiLeaks no Twitter, Assange afirma que está disposto a “aceitar a detenção pela polícia britânica” se não houver uma expectativa realista de novos recursos judiciais. Por outro lado, se o grupo de trabalho da ONU concluir que a Suécia e o Reino Unido agiram de maneira ilegal, ele espera “a devolução imediata” do seu passaporte “e o final de novas tentativas” de prendê-lo.

Assange, que numa recente entrevista ao EL PAÍS criticava as agências de espionagem, completou em 19 de junho três anos como refugiado na embaixada equatoriana em Londres. Em 2012, ao final de um longo processo, as autoridades britânicas determinaram que ele fosse detido e extraditado à Suécia para ser interrogado sobre diversos crimes sexuais. O jornalista australiano teme que, se for enviado à Suécia, será posteriormente extraditado para os Estados Unidos e julgado por ter divulgado segredos de Estado dos EUA através do WikiLeaks.

Em Quito, o ministro equatoriano de Relações Exteriores, Ricardo Patiño, se disse na quarta-feira “preocupado” com a saúde de Assange, que segundo ele precisaria se submeter a um check-up fora da embaixada. O chefe da diplomacia equatoriana disse esperar “somente que o Reino Unido possa oferecer um salvo-conduto” para que Assange viaje ao Equador.