Eleições Estados Unidos

Clinton e Sanders se chocam em último debate antes das primárias

Crescimento do senador nas pesquisas propicia um combativo intercâmbio de opiniões

Clinton e Sanders, no debate deste domingo
Clinton e Sanders, no debate deste domingoTIMOTHY A. CLARY (AFP)

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O debate, realizado em Charleston (Carolina do Sul) e transmitido pelo canal NBC, passou a sensação de que chegou a hora da verdade. Foi o último debate antes do caucus de Iowa em 1º de fevereiro.

Clinton e Sanders deixaram de lado a luva de pelica que tinham exibido em encontros anteriores. A ex-secretária de Estado e o senador mantiveram vigorosos intercâmbios de opiniões em um leque de assuntos, como saúde, controle das armas de fogo e regulação do sistema financeiro. Foi a culminação dos crescentes ataques cruzados na última semana entre ambas as campanhas.

Observados em segundo plano pelo terceiro aspirante, Martin O’Malley, Clinton e Sanders expuseram de forma clara as receitas com que esperam conseguir a nomeação. Foi um debate construtivo que contrastou com o tom pessimista do debate dos candidatos republicanos na quinta-feira passada. Tanto Sanders como Clinton transmitiram convicção. “Estamos no caminho para a vitória”, disse o senador.

Clinton, de 68 anos, enfatizou sua experiência nas últimas décadas como primeira dama, senadora e secretária de Estado para se apresentar como gestora eficiente e experiente; enalteceu o legado do presidente Barack Obama – de quem se distanciou nos últimos meses em assuntos-chave e que evitou criticar neste domingo – para mandar uma mensagem de continuidade e tentou posicionar-se como a candidata mais próxima das mulheres e das minorias raciais.

A ex-secretária de Estado criticou especialmente a posição ambígua do senador por Vermont a respeito do controle das armas de fogo nos últimos anos. “Votou com a NRA”, disse Clinton, usando a sigla do poderoso lobby da Associação Nacional do Rifle.

Sanders, de 74 anos, apresentou-se como o único candidato capaz de promover mudanças significativas nos Estados Unidos mediante sua chamada “revolução política” e associou Clinton ao establishment. O senador falou com entusiasmo, às vezes com voz rouca, sobre a necessidade de delimitar Wall Street, reduzir a influência do dinheiro na política e promover um sistema de saúde universal.

Sanders se declara socialista, um termo que pode ter conotações negativas nos EUA. Seus maiores ataques a Clinton foram por seus laços com Wall Street. “Não recebo pagamentos pessoais da Goldman Sachs por discursos”, disse.

Vantagem minguante

Várias pesquisas nos últimos dias mostram Clinton e Sanders muito igualados em Iowa e New Hampshire, o segundo Estado a celebrar primárias. Em todo o país, Clinton continua gozando de uma vantagem significativa (51%) frente a Sanders (38,3%), segundo a média das pesquisas feita pela publicação Real Clear Politics. Mas o dado mais alarmante para a campanha da ex-secretária de Estado é que, no início de dezembro, ela estava quase 30 pontos à frente de Sanders.

O crescimento de Sanders surpreendeu a equipe de Clinton, que admitiu ter subestimado o potencial do senador, conforme publicou no domingo o jornal The New York Times. A campanha esperava que seria uma competição acirrada, mas não que Sanders seria tão popular entre jovens e simpatizantes independentes, especialmente mulheres. O desafio de Clinton é conseguir reverter essa popularidade antes dos caucus de Iowa em 1º de fevereiro. O de Sanders, ampliá-la.

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