Crise na China

Bolsas da China caem mais de 7% e o dólar no Brasil passa de 4 reais

Nova espiral negativa na primeira jornada de 2016 ativa o mecanismo de freio que prevê a suspensão dos negócios quando as perdas superam 7%

Um homem segue a informação bursátil em Pequim. / REUTERS (reuters_live)

Após a atividade industrial na China mostrar retração pelo 10º mês seguido, reacendendo as preocupações sobre a economia do país asiático, o dólar disparou mais de 2% sobre o real nesta segunda-feira pela manhã, chegando a 4,0342 reais na venda às 12h09 (horário de Brasília). "Se a China está ruim, os países que dependem da China vão no mesmo barco", resumiu o gerente de câmbio da Treviso, Reginaldo Galhardo, à agência de notícia Reuters.

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Os analistas identificaram duas possíveis explicações para esse forte retrocesso do mercado de ações chinês: a iminência do prazo a partir do qual os grandes acionistas (donos de mais de 5% do capital de determinada empresa) ficarão autorizados a vender seus pacotes de ações e a liberalização da abertura de capitais para novas companhias, o que deve acarretar uma maior oferta de ações e, consequentemente, quedas nas cotações das Bolsas chinesas.

As perdas começaram a se acumular logo na abertura dos pregões, após um fim de semana em que foram divulgados novos dados desanimadores sobre a atividade industrial do país. Além disso, nesta segunda-feira o banco central desvalorizou o yuan para o seu menor frente ao dólar em quatro anos e meio. Às 13h13 (3h13 em Brasília), o índice CSI 300, que reflete a evolução dos títulos de 300 empresas nas duas Bolsas, já registrava uma queda superior a 5%, o que, em virtude das novas normas que regulamentam os mercados, implica um acionamento do circuit breaker durante 15 minutos.

Mas, longe de tranquilizar os investidores, essa pausa fez com que o ritmo das vendas se acelerasse quando os negócios foram retomados. Em apenas sete minutos, o índice caiu outros 2%, levando à suspensão definitiva da sessão, pela primeira vez na história. Xangai fechou com uma queda de 6,85%, e Shenzhen de 8,16%, o maior declínio diário desde meados do ano passado, quando teve fim uma bolha mercantil formada ao longo de meses de alta ininterrupta.

Na época, os mercados financeiros de meio mundo ficaram de pernas para o ar devido às dúvidas sobre os reflexos daquelas quedas sobre a economia real do gigante asiático e por causa de uma inoportuna mudança na taxa de referência da moeda chinesa, que causou sua maior desvalorização em vários anos. As autoridades então reagiram fazendo uma intervenção velada nas Bolsas, eventualmente suspendendo os negócios de mais de metade dos títulos, impondo rígidas limitações à compra e venda de papéis e inclusive promovendo uma investigação policial para determinar e aplacar supostas “práticas ilegais” no setor, o que levou a várias prisões.

De fato, além das preocupações com o estado da economia chinesa, os investidores do gigante asiático –geralmente muito influenciados por rumores e propensos ao comportamento de manada– receiam novas quedas iminentes no preço das ações. Dois fatores contribuem para isso. Por um lado, termina na quarta-feira a proibição imposta aos grandes acionistas (com mais de 5% do capital social de uma empresa de capital aberto) de vender seus títulos, uma restrição que foi imposta em plena tempestade mercantil do verão chinês. Por outro, ações de até 34 empresas avaliadas conjuntamente em 95 bilhões de yuans (57,8 bilhões de reais), que até o momento estavam sujeitas a um período de bloqueio, começam a ser negociadas nesta semana nas Bolsas chinesas, segundo dados da SouthWest Securities.

As decisões dos investidores chineses podem estar sendo influenciadas também pela mudança da norma que regulamenta as ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês), anunciada no final de 2015. A nova lei agiliza os trâmites para lançar ações em Bolsa, o que faz os investidores temerem que o aumento do número de companhias com ações negociadas nas duas Bolsas cause um excesso de oferta, acarretando uma queda nos preços.

Com informações do EL PAÍS Brasil.