Transição na Argentina

Argentina libera os controles sobre o peso

Governo Macri anuncia a eliminação das restrições à compra de divisas

O ministro de Fazenda da Argentina, Alfonso Prat-Gay, na sexta-feira passada.
O ministro de Fazenda da Argentina, Alfonso Prat-Gay, na sexta-feira passada.MARCOS BRINDICCI (REUTERS)

Mais informações

O ministro da Fazenda da Argentina, Alfonso Prat-Gay, anunciou nesta quarta-feira em Buenos Aires a liberalização do controle cambial em vigor no país desde 2011. As restrições à compra de moeda estrangeira foram instauradas pelo Governo anterior, de Cristina Kirchner, para enfrentar a escassez de divisas de que o país padece por sua resistência a que o mercado fixe o valor do peso. O controle afetou o investimento nesses quatro anos e, por isso, o novo presidente, Mauricio Macri, havia prometido liberalizá-lo. Claro que essa medida provocará uma desvalorização que causará impacto em uma inflação já alta (24% anual até outubro, segundo dados não oficiais).

O controle cambial consistia em diversas limitações no mercado de divisas:

Existe um certo consenso entre os economistas argentinos sobre a necessidade da liberalização cambial e da desvalorização, mas o debate se volta para o ritmo em que isso será feito. Roberto Frenkel, do Centro de Estudos do Estado e Sociedade, defende a eliminação paulatina dos controles de capital e uma desvalorização rápida porque, segundo ele, isso evitaria a depreciação exagerada do peso, mas, ao mesmo tempo, incentivaria a entrada de divisas tanto de investidores como de exportadores. Por outro lado, Javier González Fraga, economista da União Cívica Radical (UCR, centro), partido aliado do liberal Macri, opina que todo o processo deveria ser conduzido pouco a pouco porque teme que uma inflação mais elevada resulte em pressões dos sindicatos peronistas e de esquerda, e em uma eventual perda de popularidade do novo presidente.

Vários sindicalistas já estão pedindo um aumento salarial natalino como contraposição ao impacto da desvalorização, e até ameaçam com greves. Um dos mais poderosos, Hugo Moyano, aproximou-se de Macri e disse que no mínimo pedirá em 2016 um reajuste salarial de 28%, abaixo da inflação de 30% estimada pelo JP Morgan ou dos 39% antecipados pelo Deutsche Bank. A organização social kirchnerista Tupac Amaru começou a protestar nas ruas.