‘Coco’, o mortinho da Pixar

O estúdio de animação lançará um filme sobre o Dia dos Mortos em 2017

Imagem promocional de ‘Coco’, o novo filme da Pixar.
Imagem promocional de ‘Coco’, o novo filme da Pixar.

A Pixar lançará em 2017 seu primeiro filme baseado em uma tradição da América Latina. O estúdio de animação escolheu a festividade mexicana do Dia dos Mortos para continuar a romper com o molde cultural mais forte de suas produções: a família branca anglo-saxã.

Em novembro de 2015, a empresa lançará também o curta-metragem Os Heróis de Sanjay, uma animação sobre a cultura Hindu que tem como tema central as reações de um menino indiano às orações em família. E daqui a dois anos, estreará Coco, um filme protagonizado por uma criança e sua família mexicana.

A história. O que acontece quando Miguel, um menino mexicano de 12 anos que vive em um rancho, encontra todos os defuntos de sua família no Dia dos Mortos? A Disney Pixar apresentou essa trama em agosto deste ano durante a última D23, a exposição bienal do clube de admiradores da Disney que é organizada desde 2009 na Califórnia. Miguel, o protagonista de Coco, enfrentará o mistério de seus antepassados e a reunião de todas as gerações de sua família no Dia dos Mortos no México. O personagem foi desenhado pela artista Shelly Wan, uma jovem ilustradora que fez parte da equipe de Universidade Monstros (2013).

O diretor. A última vez que Lee Unkrich dirigiu um filme, ganhou o Oscar de melhor animação. O americano, que agora dirigirá Coco, chegou a um dos pontos mais altos de sua carreira com Toy Story 3 (2010), o filme ganhador e um dos mais aclamadas da Pixar. O realizador também participou de Monstros S.A. (2001) e Procurando Nemo (2003) como codiretor de ambas, e também de Vida de Inseto (1998), Carros (2006), Ratatouille (2007) e das duas primeiras partes primeiras que contam a história de Woody e Buzz Lightyear, como responsável pela montagem.

"Morto Mouse", ilustração do caricaturista Lalo Alcaraz.
"Morto Mouse", ilustração do caricaturista Lalo Alcaraz.

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A pesquisa. Unkrich, um judeu branco do centro-oeste dos Estados Unidos, garante que viajou ao México várias vezes para conhecer de perto a festividade. O diretor esteve com famílias que festejam a memória de seus mortos com tequila, música rancheira e altares coloridos. Também conheceu o trabalho de José Guadalupe Posada, um desenhista mexicano do final do século XIX e princípios do XX, autor de várias das ilustrações mais célebres do Dia dos Mortos.

A polêmica. O caricaturista mexicano e norte-americano Lalo Alcaraz anunciou que participaria do filme dois dias depois de sua apresentação. O tuíte com o qual deu a notícia desencadeou uma forte polêmica porque o artista tinha sido muito crítico com a Disney, especialmente quando a casa comunicou, em 2013, sua intenção de registrar a marca do “Dia dos Mortos” para preparar o filme que agora estreará em 2017. Alcaraz se pronunciou, na época, com uma ilustração que chamou de Muerto Mouse, e que combinava o principal símbolo da Disney com Godzilla e o Dia dos Mortos: um Mickey Mouse gigante, esquelético e com dentes afiados que atacava a grande cidade da cultura latino-americana. “Está vindo para registrar a marca da sua cultura!”, dizia o cartaz feito pelo artista.

A estreia. O filme do Dia dos Mortos estreará no Dia de Ação de Graças, 22 de novembro de 2017. Período em que também serão lançadas as continuações das histórias de Thor e de Avatar. Já Toy Story 4 deve chegar aos cinemas cinco meses antes.