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Raúl: O ídolo não quer voltar para casa

Ex-jogador do Real Madrid anuncia aposentadoria, mas planeja ficar em Nova York

Raúl ídolo Real Madrid Ampliar foto
Raul (à esq), ao lado de Marcos Senna, na despedida de ambos. EFE

Nem ser treinador nem voltar ao Real Madrid, nenhuma das duas saídas que se esperam de Raúl González está na agenda imediata do mito madridista. O jogador, que atuava com a camisa 7, anunciou há algumas semanas que deixaria os gramados no fim da atual temporada no New York Cosmos e, na terça-feira, disse em entrevista coletiva que seu plano imediato é continuar vivendo com a família na cidade dos arranha-céus: “O Real Madrid é a minha casa e um dia chegará o momento de voltar, mas não será num futuro próximo, embora o contato seja contínuo”.

Raúl apareceu perante a imprensa em Nova York acompanhado do brasileiro naturalizado espanhol Marcos Senna, que também pendurará as chuteiras depois das três partidas restantes do campeonato que o Cosmos disputa. Senna foi, juntamente com o técnico Giovanni Savarese, fundamental na decisão do ex-capitão do Real Madrid de assinar contrato em 2014 com o Cosmos, que disputa uma espécie de segunda divisão, embora na ocasião tivesse dito que não tinha certeza de que completaria os dois anos previstos.

“Eu me sinto bem, durante a temporada tive os problemas normais, e quero parar com essa sensação agradável, com 90% das partidas jogadas”, disse o jogador de 38 anos. Ele não revelou quais são seus planos para o futuro, mas quis deixar claro que ainda levará tempo para que se veja o atacante como treinador de uma equipe. Para isso, ele disse que “é necessário um período de formação” que ele nem sequer começou.

“Sou jogador, agora quero ficar com minha família, quando quiser ser treinador vou anunciar, mas não tenho na cabeça a ideia de sê-lo num futuro próximo”, enfatizou. Nem tampouco voltar à Espanha. “Vou continuar vivendo em Nova York com a minha família, aberto a uma vida nova, aberto a muitas possibilidades”, afirmou.

Raúl deixará de jogar como profissional depois de duas décadas de carreira, mais de 17 anos no Real Madrid, onde chegou menino, para depois atuar no Shalke 04 da Alemanha e no Al-Sadd do Catar. Foram mais de 900 jogos e 378 gols com uma marca especial, folhas secas, deslocamentos capazes de confundir a marcação adversária e malandragens. Venceu três Champions League, seis Campeonatos Espanhóis... Você pode imaginar a manhã que não tenha de se levantar cedo para treinar?, perguntaram na sala de imprensa. “Ainda não estou pensando nisso, agora penso que estamos na parte mais importante da temporada”, mas acrescentou: “com 38 anos, esse dia chegaria, mas haverá uma manhã que eu vou sentir falta disso”.

Agora faltam as três semanas finais –uma última partida da temporada regular e o campeonato– ao lado do companheiro Marcos Senna, de 39 anos, que planeja voltar à Espanha vinculado ao Cosmos. “Agora é o momento decisivo da temporada”, disse o jogador, e disse boas palavras para os outros dois espanhóis que permanecem na equipe norte-americana, Rubén e Ayoze.

Tanto Senna como Raúl, que foram rivais mais de uma vez quando defendiam o Villarreal e o Real Madrid, respectivamente, manifestaram alegria por se despedirem juntos naquela sala, nessa equipe e nesse campo. Por caprichos do roteiro, ele se vai de branco, a cor do uniforme de Cosmos [e também do Real Madrid]. O madridista se aposenta, diz, “satisfeito e tranquilo”, conseguiu “mais do que sonhava quando era menino”.

Mas sua mente está agora nos Estados Unidos. Não falou em nenhum momento sobre o Real Madrid de hoje. Mas fez um comentário sobre a equipe da cidade que chegou à final de beisebol contra os Royals de Kansas City. Os Mets são a segunda equipe de Nova York, uma espécie de Atlético de Madri do beisebol frente aos Yankees, que seguindo o paralelismo poderiam ser o Real Madrid. O camisa 7, que começou nas categorias de base do Atlético, estava com os torcedores na terça-feira: “Let’s go Mets! (Vamos Mets!)”, disse horas antes de uma partida decisiva.

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