CASO IGUALA

México sai às ruas no aniversário de um ano da tragédia de Iguala

Dezenas de milhares de pessoas marcham na Cidade do México exigindo justiça

Manifestação pelos estudantes desaparecidosIván Castaneira

Uma manifestação em massa voltou neste sábado a inundar as ruas da capital do México um ano depois do desaparecimento de 43 estudantes no pobre e violento Estado de Guerrero, ao Sul. A marcha foi alimentada por uma imponente e pacífica participação de diferentes camadas da sociedade civil mexicana, ainda que não de maneira tão diversificada como nas que aconteceram no ano passado. O primeiro aniversário vem em momento particularmente sensível para a investigação do caso, que voltou a abrir com força várias perguntas sobre o que aconteceu naquela noite de 26 de setembro de 2014.

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“Estamos lhes mostrando que um ano depois continua acesa a chama da indignação”, proclamou a mãe de um dos desaparecidos, falando num palco improvisado em Zócalo, a praça central da Cidade do México para a qual a marcha convergiu.

A vanguarda, como de hábito na série de protesto, foi composta pelos pais e familiares dos estudantes, que partiram da residência presidencial de Los Pinos para um percurso de várias horas, acompanhados por representantes de universidades, sindicatos, grupos da sociedade civil e cidadãos de todas as idades. Antes de desembocar na praça de Zócalo pela avenida Reforma, uma das artérias da cidade, a coluna da praça Ángel voltou a ser um dos lugares simbólicos para reunir os lemas que marcaram o protesto: Ayotzinapa vive, Somos todos Ayotzinapa, Dia da Indignação.

Além de recordar o evento, o descontentamento e o pedido de justiça por parte dos manifestantes chega em momento em que a investigação do caso deu uma forte guinada. A Procuradoria Geral considerou encerrado o trabalho em fevereiro, depois de mais de uma centena de prisões, dezenas de trabalhos da perícia e a identificação por meio do DNA de um dos estudantes. A conclusão dos promotores, defendida como uma “verdade histórica”, foi que os estudantes foram sequestrados por um grupo de policiais locais aliados ao narcotráfico. Os estudantes teriam sido executados, sendo os corpos incinerados num aterro sanitário.

Essa versão oficial foi rejeitada neste mês pelo comitê de especialistas da OEA (Organização dos Estados Americanos), o que por sua vez provocou uma reviravolta na política oficial. O Governo agora assume novas linhas de investigação e se mostra mais próximo das famílias, que mantêm a esperança de que os jovens não estejam mortos.

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