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Cinco chaves para entender as eleições da Catalunha

Região celebra no domingo eleições que não só decidirão o novo presidente

Os candidatos do pleito de domingo.
Os candidatos do pleito de domingo. EFE

A Catalunha celebra no domingo eleições que não só decidirão o novo presidente da Comunidade Autônoma, como também marcarão o futuro de um processo soberanista que tem ocupado o centro do palco na política catalã e espanhola durante os últimos três anos. Estas são as chaves.

- Plebiscitárias. Alguns partidos nacionalistas (como a Convergência Democrática - CDC, e a Esquerda Republicana - ERC) querem transformar essas eleições em um plebiscito sobre a independência. Para eles, a votação serviria como substituta de um referendo sobre a secessão que o Governo espanhol impediu até agora. O de 9 de novembro, apesar de os catalães terem votado, não teve nenhum tipo de validade legal. Por isso, para evitar uma possível suspensão das eleições, o presidente do Governo catalão (Generalitat), Artur Mas, nacionalista que impulsionou aquela consulta, tem evitado fazer menções à secessão. Já o presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, defende que “os plebiscitos não existem” porque não estão regulamentados em nenhuma lei.

- O eixo social. Diante da intenção do presidente do Governo catalão de centrar tudo na independência (“no dia 27 haverá os do sim e os do não, não haverá meio termo”, chegou a dizer), outros partidos pretendem transformar as eleições em uma consulta sobre a gestão do atual Executivo em temas sociais. Um exemplo é o partido Catalunya Sí que es Pot (Catalunha Sim é Possível) e  Pode (vinculado ao Podemos, o partido nascido dos protestos dos indignados espanhóis), que critica os cortes e a gestão da saúde na Catalunha.

- A corrupção. O histórico ex-presidente do Governo catalão Jordi Pujol confessou há um ano que, durante 30 anos, sua família manteve sem declarar uma herança milionária fora da Espanha. As declarações e a consequente investigação afetaram o atual partido do Governo, Convergência e União, que tenta reinventar-se e promete medidas de transparência.

- As candidaturas. As duas chapas com mais opções de obter um resultado melhor em 27 de setembro são fruto de várias confluências. A coalizão nacionalista Junts pel Sí (Juntos pelo Sim) encabeça as pesquisas e a dúvida é, se não houver um tombo eleitoral, se conseguirá ou não a maioria absoluta: soma os votos do atual partido no poder, Convergência (50 deputados) e Esquerda (21 cadeiras), mas se prevê que a união sofrerá com o desgaste da gestão de Mas. O atual presidente Mas, apesar de ir em quarto lugar na lista, será presidente em caso de vitória.

Os partidos que têm mais opções de liderar a oposição são o Ciutadans (Cidadãos), um partido de renovação nascido de grupos sociais que se posiciona contra a independência, e o Catalunha Sim Se Pode, união da Iniciativa (um partido verde) com o Podemos. Este quer aproveitar os ecos da recente vitória na Prefeitura de Barcelona de Ada Colau, ativista antidespejos e líder da plataforma Barcelona em Comum.

- O dia seguinte. O plano do Juntos pelo Sim é proclamar a independência caso obtenha maioria absoluta. As pesquisas, entretanto, situam a chapa de Artur Mas longe dos 67 deputados necessários. Nesse caso teriam que contar com a CUP, um partido político não convencional, independentista, anticapitalista, de esquerda e ambientalista, que apoia a secessão, mas não quer nem ouvir falar de o atual presidente investir outro golpe. O programa da candidatura de Mas aponta que a desconexão efetiva com o Estado se produziria em um período de seis a oito meses.

A alternativa, Catalunha Sim Se Pode, tem como propósito mudar a Generalitat e iniciar um processo constituinte em todo o Estado, aproveitando as eleições gerais que serão celebradas no fim do ano. O partido também tem um problema de aritmética: para conseguir chegar ao governo teria que unir forças políticas antagônicas a seu discurso, como o conservador (e antiindependentista) Partido Popular.

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