Sua ideia dá dinheiro?

Não se iluda. Um empreendimento de sucesso demanda mais do que um insight genial

Arthur Fry, inventor do post-it
Arthur Fry, inventor do post-itDivulgação 3M

Em um mundo habitado por aproximadamente sete bilhões de pessoas, as chances de alguém já ter pensado na mesma ideia brilhante que você são enormes. Não há nada de extraordinário, por exemplo, em grudar papéis coloridos sobre agendas, telas de computadores, quadros de avisos e até portas de geladeiras, para nos lembrar de tarefas por fazer. Provavelmente, se Arthur Fry, ex-cientista da 3M, nunca tivesse inventado o post-it, outra pessoa algum dia teria.

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Aliás, um dos itens mais utilizados hoje nos escritórios, o post-it nasceu em 1968 sem propósito, fruto de um experimento de seu colega, Spencer Silver. Ele desenvolveu um adesivo de baixa aderência, que podia ser removido e recolocado diversas vezes, mas para o qual não conseguia imaginar utilidade. A invenção ficou esquecida nas gavetas da 3M até que dez anos depois Fry teve um insight enquanto cantava no coral da igreja. Ao levantar para cantar, derrubou todas as marcações da música, rascunhadas em pequenos papeis sobre a pauta. Se existisse uma forma de grudar esses papeizinhos na folha... Pronto. Nasceu o post-it, lançado comercialmente pela primeira vez em 1980, nos Estados Unidos.

Fry uniu a ideia do adesivo à do papel de recado, desenvolvendo uma espécie de marcador de página que saiu distribuindo pelo escritório. Cada vez mais os colegas pediam pelos post-its, levando o cientista a desenvolver, em seu porão, a máquina capaz de produzi-los no formato de bloco de anotações, como hoje conhecemos.

A história do post-it prova que um negócio de sucesso não parte, necessariamente, de uma boa ideia. Luiz Guilherme Manzano, diretor de apoio a empreendedores da Endeavor Brasil, alerta para um detalhe que, a princípio, parece óbvio, mas que condena muitos empreendedores ao fracasso. “O primeiro passo para empreender é detectar qual é o problema que precisa ser resolvido. Só depois se desenvolve a solução, tendo em mente a tecnologia necessária para tanto”, esclarece.

Passe seu projeto pela peneira antes de largar tudo para empreender. Confirma sete passos para transformar uma ideia genial em um negócio genial.

1. Trabalhe em um setor que conhece

A maior parte das empresas que vingam são fundadas por profissionais que conheciam bem o segmento de atuação. Geralmente, são ex-funcionários das empresas para as quais prestam serviços hoje. A vantagem disso é saber quais sãos os problemas que precisam de soluções.

2. Cerque-se de pessoas afins

“Empreendedorismo não é um esporte solo”, diz Manzano. No começo, o empreendedor será responsável por tudo, das finanças ao marketing. Mas, com o tempo, deverá contratar uma equipe de apoio à gestão. Para isso, é ideal depender apenas de profissionais que têm os mesmos valores e objetivos.

3. Prime pela qualidade da gestão

“Não existe ideia brilhante. Só execução brilhante”, ressalta Manzano. Qualquer um pode ter uma ideia. A diferença está na hora de tornar o plano em realidade. Pesquise muito sobre o mercado, os potenciais clientes, concorrentes, calcule a margem de lucro ideal, a estrutura de custos... faça o famoso plano de negócios.

4. Teste a sua ideia à exaustão

Antes de lançar um produto no mercado, teste o interesse dos potenciais clientes e parceiros pela solução que você desenvolveu. Sem demanda, não há motivos para ofertar.

5. Prepare-se para trabalhar 24 horas por dia

O cargo de chefe possui atribuições bastante específicas e um grau de responsabilidade bem elevado. O que acontece na empresa é reflexo das suas decisões.

6. Não dependa de recursos de terceiros

Existe crédito específico no mercado para microempreendedores. Em tempos de crise, entretanto, pode faltar recursos para todos que procuram. Os fundos de investimento também ficam mais criterioso na escolha das empresas que deverão receber aportes. “O empreendedor deve estar preparado para aplicar dinheiro do próprio bolso e, eventualmente, conseguir sobreviver com a receita dos primeiros clientes. Investidores são extremamente racionais e só aplicam dinheiro em empresas que já encontraram uma forma de rentabilizar o negócio”, alerta Manzano.

7. Seja um must have.

Criar tendências é melhor do que segui-las. Produtos e serviços exclusivos, difíceis de copiar, criam barreiras naturais a concorrentes. Coloque no mercado um must have.