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Alexis Tsipras renuncia ao cargo de primeiro-ministro da Grécia

Governo convoca eleições antecipadas para o dia 20 de setembro

Decisão visa acabar com rebelião interna no partido Syriza

Alexis Tsipras, no último dia 12.
Alexis Tsipras, no último dia 12. AFP

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, anunciou na tarde desta quinta-feira sua renúncia ao cargo, em um pronunciamento ao vivo transmitido pela TV. Com isso, o país convocou ainda eleições antecipadas para o dia 20 de setembro, apenas oito meses depois do pleito que levou o seu partido, o Syriza, ao poder.

"Meu mandato de 25 de janeiro venceu. Agora o povo deve se pronunciar. Vocês, com o seu voto, decidirão se negociamos bem ou não", afirmou. "Sei que não alcançamos todo o prometido ao povo grego, mas salvamos o país, dizendo à Europa que a austeridade deve terminar", completou.

O primeiro-ministro, que sugeriu essa data, havia se reunido pouco antes com seus assessores para definir a data das eleições antecipadas, depois de realizar os pagamentos ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Central Europeu (BCE).

O líder do Syriza anunciou sua renúncia e a de seu Gabinete. Tsipras deve apresentar sua carta de demissão ao presidente, Prokopis Pavlópulu, como manda a Constituição. Como primeira-ministra do Governo interino para substituir a aliança Syriza-ANEL, a maioria das fontes aponta Vasilikí Thanou, presidenta desde junho da Suprema Corte grega. Thanou também é responsável pela Comissão Eleitoral. Segundo a agência estatal ANA, o Governo interino deve tomar posse na próxima segunda-feira.

A primeira-ministra do Governo interino será Vasilikí Thanou, presidenta desde junho da Suprema Corte grega. Thanou é também responsável pela Comissão Eleitoral. A previsão é de que o governo de transição assuma na próxima segunda.

Desde a semana passada, previa-se que Tsipras mexeria no tabuleiro político a partir de 20 de agosto, após a aprovação parlamentar da terceira ajuda e, sobretudo, em virtude da profunda fissura aberta no Syriza entre os partidários e os críticos do programa de resgate, que trouxe consigo cortes e ajustes equivalentes a 4-5% do PIB grego. Na sexta-feira passada, quando a Câmara aprovou a ajuda apesar da oposição de um terço dos deputados do Syriza, estudou-se a possibilidade de uma imediata moção de confiança ao Governo, mas o cenário da antecipação das eleições ganhou peso.

Pagamento ao PCE e ao FMI

A Grécia cumpriu o prometido. Na quinta-feira, após receber os 26 bilhões de euros (101,50 bilhões de reais) correspondentes à primeira parcela do resgate – que o Eurogrupo (instância que reúne ministros de Finanças e outras autoridades da zona do euro) acertou que será de até 86 bilhões de euros (335,7 bilhões de reais) – as autoridades gregas saldaram suas contas mais imediatas com dois de seus credores. 3,2 bilhões de euros (12,50 bilhões de reais) ao Banco Central Europeu (BCE), que venciam na mesma quinta, e pouco mais de 7 bilhões de euros (27,3 bilhões de reais) ao FMI correspondentes ao primeiro empréstimo intercalar concedido pelo órgão em julho.

“Sim, os dois pagamentos foram realizados hoje [quinta-feira]”, confirmaram na manhã do mesmo dia fontes diplomáticas gregas que, mesmo sem entrar em detalhes, afirmam que o “total desembolsado na quinta é de 12 bilhões de euros (46,85 bilhões de reais)”. Após uma semana de votações nos Parlamentos dos países que mais contribuíram com o resgate da Grécia – como a Alemanha, Espanha e Holanda – através de suas contribuições anuais ao Mecanismo de Estabilidade (Mede), o órgão de Governo dessa instituição se reuniu na quarta-feira e desbloqueou os 26 bilhões de euros da primeira parcela realizando o pagamento de 13 bilhões de euros (50,75 bilhões de reais) na manhã de quinta.

Dos 26 bilhões de euros, 10 bilhões de euros (39,04 bilhões de reais) irão a um Fundo específico do Mede, que estará em Luxemburgo, para recapitalizar os bancos “imediatamente”, muito deteriorados após os 20 dias de corralito (retenção de depósitos bancários) imposto pelo Governo de Alexis Tsipras pouco antes da realização da consulta em 5 de julho, segundo explicações do presidente do Mede, Klaus Regling, após a reunião do Eurogrupo na sexta-feira. Para ele, entretanto, os bancos gregos deverão passar por um exaustivo exame do BCE que levará “várias semanas”, nas palavras da porta-voz de Economia da Comissão Europeia, Annika Breidthardt, no começo da semana. 3 bilhões de euros (11,71 bilhões de reais) irão resolver, até novembro, necessidades internas – não existem ainda detalhes a respeito – da Administração grega e os outros 13 bilhões de euros acertarão vencimentos e outros pagamentos, como os de quinta-feira.

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