Estado Islâmico

EUA revelam que Kayla Mueller foi escravizada pelo líder do EI

Os serviços de inteligência souberam que ela foi obrigada a ‘se casar’ com Al Bagdadi

A voluntária norte-americana Kayla Mueller.
A voluntária norte-americana Kayla Mueller. (AFP)

A voluntária norte-americana Kayla Mueller, sequestrada na Síria pelo Estado Islâmico (EI), sofreu torturas e abusos por parte do líder da organização, Abubaker al-Baghdadi, segundo contaram os pais da jovem, informados previamente pelos serviços de inteligência dos EUA. Mueller, de 26 anos, foi mantida presa por 18 meses e morreu em fevereiro deste ano, em circunstâncias ainda não confirmadas.

Depois de seu sequestro em 4 de agosto de 2013, a jovem teria sido presa e acorrentada junto a várias mulheres iazidistas na casa de Abu Sayyaf, um dos membros da cúpula do Estado Islâmico, e sua mulher Umm Sayyaf. A partir das declarações de outra jovem que conseguiu escapar, a inteligência dos EUA soube que al-Baghdadi ia com frequência à casa, tomou Mueller como sua “esposa” e que, a cada visita, exigia a presença da norte-americana.

A informação foi revelada pelo jornal britânico The Independent e confirmada na sexta-feira, dia 14 de agosto, pelos pais de Mueller. Segundo declararam ao The New York Times, eles acreditavam em um primeiro momento que Mueller foi escravizada sexualmente por Abu Sayyaf, mas os serviços de inteligência dos EUA os informaram em julho dos abusos sofridos por parte do líder, al-Baghdadi.

“Ela era levada durante um tempo ao quarto de al-Baghdadi e depois voltava chorando e contava às outras meninas o que tinha acontecido”, declarou a mãe de Kayla, Marsha Mueller, ao Times. “Disseram para nós que Kayla teve de se casar com Al Bagdadi, mas todos entendemos o que isso significa, que ela passou a ser de sua propriedade”, acrescentou o pai, Carl Mueller.

Esta informação coincide com o padrão de abusos sexuais e estupros a que são submetidas as mulheres sequestradas pelo grupo terrorista no Iraque e na Síria, onde são escravizadas e exploradas pelo EI. Quando os EUA revelaram a morte da voluntária, no entanto, nem as autoridades nem a família explicaram se Mueller tinha escapado das torturas.

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Em uma carta revelada pela família depois da morte, Mueller garantia que estava sendo tratada “com respeito e amabilidade”, em um local seguro, e que estava “saudável”. Apesar de o grupo ter enviado provas fotográficas de sua morte à família, a Casa Branca ainda não tinha confirmado as circunstâncias em que ela faleceu e colocou em dúvida as alegações do EI de que ela morreu em um bombardeio das forças dos EUA em 6 de fevereiro passado.

A família da voluntária sustenta que Mueller foi assassinada pelo Estado Islâmico em represália pela execução na Jordânia de Sajida Rishawi, miliciana jihadista que tinha sido condenada à pena de morte depois de fracassar em sua tentativa de cometer um atentado suicida. Dos sequestradores de Mueller, Sayyaf morreu em uma operação norte-americana na Síria no ano passado, enquanto sua esposa foi detida e interrogada antes de ser entregue às forças curdas do Iraque.

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