Argentina

Traficante envolve o chefe de Gabinete argentino no tráfico de efedrina

Aníbal Fernández vê as acusações como uma operação contra sua candidatura

Aníbal Fernández em fevereiro de 2012 na Casa Rosada.
Aníbal Fernández em fevereiro de 2012 na Casa Rosada.

Mais uma vez a política argentina é totalmente perturbada pelas revelações do programa de investigação do jornalista mais conhecido do país, Jorge Lanata. O repórter entrevistou na cadeia um narcotraficante condenado à prisão perpétua por ter participado de um triplo assassinato em 2008, relacionado com o tráfico de efedrina, que afirmou que por trás de toda a operação de contrabando e inclusive do assassinato estava Aníbal Fernández, então ministro da Justiça e hoje chefe de Gabinete e número dois do Governo. O escândalo acontece uma semana antes das primárias em que o próprio Fernández empreende uma duríssima batalha interna dentro do peronismo para ser candidato a governador de Buenos Aires, a província mais rica e populosa da Argentina, maior do que muitos países europeus.

Durante a transmissão do programa, do qual se recusou a participar, Fernández dedicou-se a negar pelo Twitter as duríssimas acusações e na manhã desta segunda-feira deu uma entrevista coletiva para afirmar que por trás das acusações do traficante de drogas, chamado Martín Lanatta (sem parentesco com o jornalista) há uma operação política para impedi-lo de tornar-se governador de Buenos Aires, um posto tão importante que é precisamente o que ocupa agora o mais forte candidato para ser o novo presidente da Argentina, Daniel Scioli. Fernández garante não conhecer nenhum dos envolvidos no triplo assassinato.

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A acusação de Lanatta foi reforçada durante o programa, um dos mais importantes da televisão argentina, por outro envolvido no tráfico de efedrina, José Luis Salerno, que também acusou o atual chefe de Gabinete. Ambos afirmaram que o apelido com que se referiam a Fernández na época era “a morsa”, por causa do um bigode muito característico. Fernández é um veterano político peronista de longa trajetória e muito controvertido, pois no passado chegou a fugir no porta-malas de um carro por causa de um escândalo de corrupção do qual acabou saindo livre. O chefe de Gabinete se defendeu das acusações assegurando que não há nenhuma investigação criminal que o envolva com o tráfico de efedrina e muito menos no triplo assassinato, que parece um acerto de contas entre traficantes de drogas.

Lanatta, o condenado, diz que Fernández era seu chefe quando ele arranjava portes de armas e desbloqueava licenças para as pessoas que necessitavam. E depois, de acordo com seu relato, ele estava numa reunião com o próprio Fernández na qual o empresário farmacêutico Sebastián Sforza, um dos mortos no triplo assassinato, pagou-lhe 250.000 dólares (cerca de 860 mil reais) para resolver os problemas que tinha com a Justiça, que o investigava precisamente por tráfico de efedrina.

“O negócio do tráfico de efedrina acabou ficando totalmente com Aníbal Fernández e o pessoal da inteligência”, chegou a dizer Lanatta no programa, durante o qual prometeu fornecer toda essa informação à Justiça para investigação.

Fernández reagiu com indignação e chegou a dizer que seus rivais internos dentro do peronismo poderiam estar por trás das acusações. “Eu estou liderando as pesquisas, estão tentando impedir que eu me torne governador”, disse na Casa Rosada, a sede do Governo, onde afirmou que Lanatta fez isso por dinheiro. “Estou magoado com muitos amigos que percebo hoje que são lixo”, disse enigmaticamente.

Quando perguntado se via por trás da operação o seu rival nas primárias, Julián Domínguez, disse que “gastou muito dinheiro em publicidade no Clarín e no Clarín.com”, o grupo proprietário da rede de televisão que transmitiu o programa. Frente às dúvidas do possível fogo amigo, o candidato rival, Domínguez, saiu rapidamente em apoio a Fernández. “Essa acusação é lamentável e absurda”, disse o atual presidente da Câmara dos Deputados. “É suspeito que o programa PPT toque no caso neste momento, uma semana antes das PASO [as eleições primárias]”, concluiu.

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