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Banco Central eleva taxa de juros pela sétima vez seguida, para 14,25% ao ano

Comitê de Política Monetária sinalizou manutenção do patamar no futuro Nos EUA, Federal Reserve mantém o preço do dinheiro na categoria do 0 ao 0,25%

Cédulas e moedas de real
Cédulas e moedas de realMarcos Santos (USP Imagens)

A redução na atividade econômica brasileira não foi o bastante para impedir a sétima elevação seguida da taxa básica de juros. O Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central anunciou na noite desta quarta-feira o aumento da Selic em meio ponto percentual, o que deixa a taxa em 14,25% ao ano — maior patamar desde 2006, quando chegou a 14,75%. Apesar da elevação, o Copom sinalizou que deve manter a Selic no mesmo patamar pelos próximos meses.

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Segundo nota divulgada à imprensa, "o Comitê entende que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016". O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro encolheu 0,2% no primeiro trimestre, mas a inflação totaliza 8,89% nos últimos 12 meses, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — o centro da meta do Governo é de 4,5%.

A decisão do Copom era esperada pela maior parte dos economistas. A previsão dos analistas financeiros a Selic termine 2015 fixada em 14,25% ao ano. A taxa básica de juros só deve passar a cair, segundo a expectativa geral, a partir de janeiro do ano que vem.

Horas antes de ser anunciada a decisão do Copom, o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, anunciou o que também já se previa: a decisão de manter o preço do dinheiro na faixa entre 0 e 0,25%, adotada desde o fim de 2008, e deixou a porta aberta para começar a subir as taxas de juros em sua próxima reunião, em setembro ou dezembro. Qualquer alteração na taxa norte-americana tem impacto mundial, pois pode repelir ou atrair investimentos externos de outros países, como o Brasil.

A expectativa pelo que aconteceria em Washington estava centrada nas palavras-chave do comunicado, se elas permitiriam adivinhar que o aumento do preço do dinheiro teria lugar depois do verão ou na última reunião do ano, as duas principais apostas do mercado, embora não se possa descartar sequer a arrancada de 2016.

A alta do preço do dinheiro significa, em linhas gerais, boas notícias para os poupadores e más para aqueles que tomam empréstimos, enquanto a queda das taxas procura estimular a economia. E se isso é feito pelo maior banco central do mundo, pela primeira vez em 10 anos, as consequências se estendem a todas as economias.

Decisão

Crescimento, emprego e inflação, esses são os três parâmetros contemplados pelo Federal Reserve para começar a frear o dinheiro grátis e o comunicado posterior à reunião deu indícios para todos os gostos: o mercado de trabalho continua com ganhos que o órgão considera “sólidos”, o que sustenta a ideia da alta, embora ao mesmo tempo ressaltou que a atividade estava crescendo “moderadamente” e que se espera uma inflação “baixa” no médio prazo. A inflação, agora perto de 0%, não vai atingir a meta de 2% até o início de 2017, de acordo com a mais recente análise de conjuntura do Fed, de junho.

A presidenta do Fed, Janet Yellen, disse no início do mês que o mercado de trabalho continuou a melhorar em direção à meta do pleno emprego e que estava, portanto, mais próximo da normalização, o que justificaria o início das altas, mas o cenário permanece aberto. “O comitê espera que a inflação atinja gradualmente os 2% no médio prazo enquanto o mercado de trabalho melhora e os efeitos transitórios das quedas anteriores dos preços da energia e das importações se dissipam”, diz o comunicado.

O Fed adiou a medida várias vezes (por causa de uma combinação de fatores internos, como a contração econômica do primeiro trimestre, e em parte por fatores externos, como a fragilidade global da recuperação, a instabilidade da zona do euro por conta da Grécia). E quer evitar a todo custo as turbulências nos mercados, como a sofrida em 2013, quando Ben Bernanke, o presidente do banco central norte-americano na época, anunciou a diminuição das enormes compras de dívida (estas acabaram completamente em outubro de 2014). Até agora, Wall Street respondeu com altas depois da divulgação das palavras do Fed.

Seja em setembro ou dezembro, a decisão, em todo caso, está tomada, e o mercado mais que avisado; então, como disse a própria presidenta do Fed, o sucesso da decisão do banco central norte-americano depende do ritmo posterior de subida das taxas (fala-se de um ponto percentual por ano) e da redução dos ativos, ou seja, a liberação de todos os ativos da dívida – mais de 4 bilhões de dólares – que acumulou durante a crise.

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