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Economia dos EUA para de crescer nos primeiros três meses de 2015

A maior economia do mundo subiu apenas 0,2% no primeiro trimestre deste ano

A entrada da Bolsa de Nova York.
A entrada da Bolsa de Nova York. AFP

A economia dos Estados Unidos praticamente parou de crescer no primeiro trimestre, registrando uma taxa anualizada de apenas 0,2% entre janeiro e março. Wall Street esperava uma moderação na recuperação, refletindo o impacto das nevascas, a fragilidade econômica internacional e a valorização do dólar. O que não se esperava era que a freada fosse tão brusca, podendo inclusive levar o Federal Reserve (banco central) a adiar aquela que será a primeira alta dos juros nos EUA em nove anos.

O passo atrás é considerável, tomando-se como referência o crescimento anualizado de 2,2% registrado no quatro trimestre de 2014 e os 5% do terceiro. A expectativa para o começo de 2015 era de um crescimento de 1%. Trata-se, no entanto, de uma primeira leitura do indicador, sujeita ainda a duas revisões. Uma situação semelhante já havia sido vivida no primeiro trimestre do ano passado, quando a severidade do inverno contribuiu para uma contração de quase 3% na economia. Desta vez, não se espera algo dessa magnitude.

O detalhe do indicador preliminar mostra, em todo caso, que as empresas reduziram seus investimentos em 23% no começo de 2015, que as exportações caíram 7,2% e que os consumidores, responsáveis por dois terços do crescimento econômico, estão precavidos na hora de gastar, apesar do barateamento da gasolina. Ou seja: o país continua a crescer, mas de forma desigual, seis anos depois do final da Grande Recessão.

O novo dado foi publicado horas antes do Fed anunciar uma decisão sobre os juros —decisão esta que provavelmente será a de deixar tudo como está. Até alguns meses atrás, era tido como certo que a primeira elevação dos juros seria em junho. Agora, ganha força a hipótese de que isso fique para a reunião de outubro, embora não se descarte uma mudança em setembro, se houver uma melhora da perspectiva econômica. Isso significaria que o encarecimento do dinheiro até o final do ano seria menor, de no máximo meio ponto percentual.

Outra possibilidade é que a alta aconteça já em junho, mas apenas como um aceno simbólico, e que então o Fed faça uma pausa para avaliar a reação da economia e dos mercados, antes de promover uma segunda elevação dos juros no final do ano. O que está evidente para os agentes de Wall Street é que o início do processo de retomada dos juros acontecerá neste ano, porque o Fed começa a demonstrar impaciência. Os juros básicos nos EUA estão tendendo a 0% desde dezembro de 2008.

O problema, como mostra o dado de crescimento, é que os indicadores econômicos neste momento jogam contra. O fato de o Fed dizer que sua decisão dependerá da evolução dos dados recebidos coloca a instituição entre a cruz e a espada. A valorização do dólar, além disso, provoca a sensação de que o crescimento está sendo menor do que é.

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