ELEIÇÕES EUA

McCain diz que Trump põe em risco a imagem dos republicanos

Empresário ataca veteranos de guerra dos EUA, importante nicho de votos para o partido

John McCain, nesta segunda-feira em um ato de campanha republicano.
John McCain, nesta segunda-feira em um ato de campanha republicano.REUTERS

O confronto aberto em que Donald Trump se colocou com a maioria dos candidatos republicanos subiu mais um degrau de tensão no domingo, quando o empresário negou-se a se desculpar por seus comentários ofensivos sobre a honra militar de John McCain. Diante de uma plateia de cristãos evangélicos de Iowa, no sábado, Trump foi indagado se tinha que se desculpar com McCain por tê-lo chamado de “estúpido”. Trump respondeu: “Ele não é um herói de guerra.” E detalhou: “Só é herói de guerra porque foi capturado. Eu gosto dos que foram capturados.” Minutos depois, um enxame de jornalistas pedia que ele explicasse suas palavras, e Trump as confirmou.

No domingo afirmou que havia dito, sim, que McCain era um herói e tratou de desenvolver o argumento: na verdade ele estaria pedindo maior reconhecimento para os veteranos que se tornaram prisioneiros. “Não disse nada de mau”, defendeu-se o empresário.

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McCain, por sua vez, demorou dois dias para responder. Nesta segunda-feira, durante uma entrevista ao canal MSNBC, disse que não esperava uma desculpa pessoal de Trump, e sim que o empresário se desculpasse com todos os veteranos. “A maior honra da minha vida foi servir na companhia de heróis”, disse McCain. “Eu não sou um herói.”

O senador McCain afirmou ter recebido “um turbilhão de chamadas” de veteranos do Exército descontentes com as palavras de Trump. “Creio que a questão é que muitos homens e mulheres serviram a pátria e se sacrificaram, e aconteceu de caírem prisioneiros. Denegrir essa condição é ofensivo, creio, para a maioria dos nossos veteranos.” As palavras de McCain chamam atenção para as consequências que a presença de Trump nas fileiras republicanas, caso insista em não se desculpar, acarreta para a imagem do partido entre os veteranos do Exército.

A maioria dos candidatos republicanos atacou Trump em poucas horas. O ex-governador do Texas Rick Perry disse que ofender um veterano desqualifica Trump como possível comandante-chefe do Exército, cargo que o presidente acumula. Todos os candidatos saíram em defesa de McCain. Apenas Ted Cruz e Ben Carson se mostraram um pouco mais tímidos.

O grupo de veteranos do Exército é um dos principais nichos de votos republicanos. Nas últimas eleições, em novembro, eram 17% do eleitorado. Os republicanos ganham dos democratas nesse grupo por 20 pontos, diferença que cresce entre os mais velhos.

Trump é o único dos 15 candidatos principais republicanos que não tem carreira política. Os demais são governadores, ex-governadores ou senadores. O empresário do ramo imobiliário começou a campanha pela indicação republicana faz 22 dias, com insultos aos mexicanos que lhe valeram o boicote de várias empresas e a condenação de toda a comunidade latina dos EUA. Por outro lado, a polêmica lhe proporcionou uma publicidade que o levou inesperadamente a figurar entre os favoritos do público republicano, por passar a imagem de homem de negócios sem relação com a política, que fala sem papas na língua e não tem medo de tocar em temas espinhosos.

Os líderes republicanos demoraram vários dias para se distanciarem da retórica anti-imigração de Trump, pela chacoalhada inesperada que provocou em seus eleitores e para não parecerem brandos em relação ao tema da imigração. Finalmente os ex-governadores de dois Estados com forte identidade latina, Jeb Bush e Rick Perry (Flórida e Texas, respectivamente), declararam que as palavras de Trump não representam a opinião majoritária do partido.

As declarações do sábado, contudo, podem ser um ponto de divisão entre o antes e o depois em sua campanha. Ainda é cedo para avaliar suas consequências, mas uma pesquisa do The Washington Post realizada entre a quinta-feira e o domingo pode dar alguma pista. A enquete, publicada esta segunda-feira, mostra que Trump é o primeiro na preferência entre os eleitores republicanos, tanto em nível nacional como em Iowa, o Estado que é tomado como referência para saber quais são os candidatos com mais força. Mesmo assim, enquanto nos três primeiros dias da pesquisa ele obteve 24% de apoio (bem à frente do segundo colocado), no último dia, domingo passado, o número baixou para menos de 10%, segundo o Post.

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