crise na grécia

Eurogrupo pede à Grécia reformas mais concretas e imediatas

Apesar das dúvidas, chefes de Estado e de Governo deverão fechar acordo neste domingo

O ministro de Finanças grego, Euclidis Tsakalotos, com a diretora do FMI, Christine Lagarde, em Bruxelas.
O ministro de Finanças grego, Euclidis Tsakalotos, com a diretora do FMI, Christine Lagarde, em Bruxelas.FRANCOIS LENOIR (REUTERS)

Drama até o último minuto e reviravolta no final. O Eurogrupo reclamou na noite deste sábado um esforço adicional da Grécia: mais medidas concretas e, sobretudo, máxima rapidez para aprovar reformas imediatamente. Depois do parecer relativamente benigno do FMI, do BCE e da Comissão sobre o plano grego – embora as instituições exijam, novamente, “medidas adicionais” –, os ministros preparavam, no fechamento desta edição, uma declaração em tom moderadamente favorável. Apesar das dúvidas dos países mais duros, os chefes de Estado e de Governo deverão fechar o acordo no domingo.

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Depois de destruir o prestígio da palavra ultimato ignorando todos os prazos limites desde fevereiro último, a crise grega entra neste domingo em um capítulo crucial: serão os Chefes de Estado e de Governo da zona euro, na enésima cúpula de emergência, que decidirão se a Grécia permanece dentro da moeda única ou terá que pensar seriamente em cenários de pesadelo. A reunião de ministros de Economia foi no sábado um longo e complicado aperitivo dessa cúpula suspeitosamente definitiva. “As coisas estão indo na direção certa. Queremos que a Grécia faça um pouco mais. Mas a decisão final será tomada pelos líderes”, disse a este jornal uma fonte do Eurogrupo. A Alemanha não decepcionou: Berlim marcou o tom desde o primeiro minuto. “Chegar a um acordo será extremamente difícil”, disse o ministro Wolfgang Schäuble. “Os gregos têm feito tudo que estava no poder deles para destruir sua credibilidade. A confiança foi destruída”, acrescentou.

Esse é o cerne da questão: muitos dos ministros perderam a confiança. E começaram a considerar seriamente a possibilidade de que a Grécia seja um estado falido: Berlim deixou vazar no sábado um documento que aponta para uma saída temporária do euro. Paris está pressionando, há dias, para evitar esse cenário, perigoso a curto prazo pelo efeito contágio e devastador no longo para a credibilidade da Europa.

Tudo indica que afinal haverá fumaça branca, mas ninguém em Bruxelas descarta nada. O drama, claro, faz parte do jogo: as fontes consultadas afirmam que o acordo final seria fechado pelos líderes. Na ausência dessa foto para a história – ou não – os ministros procuravam na noite passada uma última reviravolta para a Grécia.

As instituições conhecidas anteriormente como troika comunicaram ao Eurogrupo os resultados de um primeiro exame do plano grego relativamente positivo. Com os senões habituais: os números não batem; são necessárias medidas adicionais. As fontes consultadas afirmaram que os ministros pediram a Atenas mais concretização em alguns capítulos de seu plano, e um gesto para demonstrar que podem confiar na Grécia: a aprovação pela via rápida das reformas fiscal e de aposentadorias.

O FMI reclamou da Europa uma declaração de realismo político: metas fiscais mais folgadas significarão mais custos para os credores. Apesar de que a margem é limitada, o Fundo exige mais ajuda financeira ou uma reestruturação mais generosa da dívida. Uma semana atrás, o FMI propôs ampliar os prazos médios de devolução de 30 para 40 anos, e os prazos de carência (nos quais apenas os juros são pagos) de 10 para 20 anos. No sábado queria mais. “Depois do que aconteceu no sistema financeiro [o corralito] é preciso muito mais financiamento, particularmente para os bancos, e um alívio da dívida maior do que pensávamos”, segundo Olivier Blanchard, economista chefe do Fundo.

As instituições avaliam as necessidades da Grécia entre 74 e 78 bilhões de euros (entre 260 e 275 bilhões de reais). O terceiro resgate, para os próximos três anos, será um pouco inferior: cerca de 50 bilhões de euros (176 bilhões de reais), para fazer com que Atenas volte o mais rapidamente possível aos mercados. E mesmo com um acordo, os problemas não vão desaparecer: será preciso encontrar um remendo para que a Grécia consiga cumprir com seus pagamentos mais imediatos e a situação de seus bancos, será preciso criar as condições definitivas e, sobretudo, é preciso colocar tudo isso em prática, com medidas rápidas em Atenas, para reconstruir algo tão etéreo e tão fácil de volatilizar como é a confiança entre Grécia e seus credores, antes conhecidos como sócios.

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