Copa América

Os pênaltis fazem justiça à Argentina

Apesar da superioridade, time de Messi precisa esperar uma disputa com 14 cobranças

Os jogadores argentinos celebram a classificação. REUTERS-LIVE! / AP (AGENCIA_DESCONOCIDA)

Uma eletrizante disputa de pênaltis com 14 cobranças colocou a Argentina na semifinal da Copa América, após 90 minutos em que uma pálida seleção colombiana resistiu ao time de Messi e companhia, sem ter muito a oferecer além da eficiência do seu goleiro Ospina. A Alviceleste não merecia tanta angústia, já que demonstrou uma esmagadora superioridade, especialmente no primeiro tempo.

Argentina 0 x 0 Colômbia

Argentina: Sergio Romero, Pablo Zabaleta, Ezequiel Garay, Nicolás Otamendi, Marcos Rojo, Javier Mascherano, Lucas Biglia, Javier Pastore (Éver Banega, min. 77), Angel di María (Ezequiel Lavezzi, min. 87), Lionel Messi e Sergio Agüero (Carlos Tévez, min. 73).

Colômbia: David Ospina, Camilo Zúñiga, Cristan Zapata, Jeison Murillo, Santiago Árias, Alexander Mejía, Víctor Ibarbo (Luis Muriel, min. 86), Juan Cuadrado, James Rodríguez, Teófilo Gutiérrez (Edwin Cardona, min. 24) e Jackson Martínez (Radamel Falcao, min. 73).

Gols nas cobranças de pênaltis: 1 x 0, James Rodríguez; 1 x 1, Messi; 2 x1, Falcao; 2 x 2 Garay; 3x 2 Cuadrado; 3 x 3, Banega; 3 x 4 Lavezzi; 4 x 4, Cardona; 4 x 5, Tévez. Erraram pela Colômbia: Muriel, Zúñiga, Murillo; e pela Argentina: Biglia e Rojo.

Árbitro: Roberto García Orozco (México), advertiu os argentinos Sergio Agüero, Javier Mascherano e Leo Messi e os colombianos James Rodríguez, Santiago Árias, Juan Cuadrado, Radamel Falcao e Alexander Mejía. Expulsou um integrante da comissão técnica argentina (min. 59).

Estádio Sausalito, em Viña del Mar, com 21.500 espectadores.

A trama acabou sendo resolvida por Tévez, que converteu o último pênalti da noite horas depois de ter o Boca Juniors oficializar a sua contratação. A vitória, porém, não resolve o enigma apresentado pela Argentina, que tem uma lista magnífica de atacantes, aos quais no entanto o gol parece ter se transformado numa miragem difusa. Pior ainda é a imagem deixada pela seleção cafeteira, que vai embora do Chile com apenas um gol marcado – e por um zagueiro, e não por nomes como James, Falcao, Jackson e Bacca… Na verdade, a Colômbia em nada evocou a Colômbia cintilante que se esperava. A Argentina, apesar da pontaria ruim, tem repertório e exibiu muito mais. Agora enfrentará Brasil ou Paraguai na semifinal.

A Argentina sufocou completamente a Colômbia, que fez muita cera, muito corpo a corpo e nada mais. Sobretudo na primeira etapa, o conjunto de Tata Martino colonizou os cafeteiros em seu próprio campo, exercendo muita pressão e construindo um dique intransponível para o time de José Pékerman, incapaz de dar uma estocada, de sair par o jogo. O técnico ainda tentou isso colocando dois centroavantes e James na órbita de Mejía, o único meia armador. Foi fracasso absoluto. Nem rastro de James, atado também, por um cartão aos 11 minutos, por reclamação. A verdade é que ninguém merecia a leniência do árbitro, o mexicano Roberto García, aturdido como uma múmia, superado nos detalhes e no geral.

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A Colômbia era um farrapo aos pés da Argentina, e Pékerman não teve remédio senão fazer uma correção antes dos 30 minutos. O meio campo argentino mandava no jogo. Mascherano e Biglia – com as escapadas de Pastore e Messi, a quem Árias deu voz de prisão em quase todo o campo durante mais de uma hora de jogo – isolavam James, e Mejía era um coitado diante de adversários tão superiores. Aflito com esse destino, Mejía atropelou Messi e levou um amarelo precoce. Pékerman interveio imediatamente, retratou-se e trocou Teo Gutiérrez por Cardona. Um meia de contenção no lugar de um atacante. Não teve jeito. Os argentinos continuavam ditando o ritmo. Romero, o arqueiro alviceleste, nem apareceu na transmissão da TV até os 22 minutos do segundo tempo, quando precisou espalmar uma cabeçada. Depois, na disputa de pênaltis, defendeu uma cobrança de Muriel, seu colega na Sampdoria – e em toda a noite só precisou usar as mãos nessas duas vezes. A Colômbia era uma seleção apática, murcha, decepcionante por sua maneira de assumir um papel coadjuvante. Nem sinal da equipe que há um ano trouxe frescor à Copa do Mundo do Brasil.

Colômbia era um farrapo aos pés da Argentina, e Pékerman não teve remédio senão se corrigir antes dos 30 minutos. Fez uma substituição

O encontro só tinha um roteiro. Até o intervalo, o de Messi e Pastore, e, além deles, de Di María, um tortura para Zúñiga e Cuadrado, que foi uma cópia ruim do projeto de jogador que parecia ser. A Argentina foi uma seleção expansiva em quase tudo. Teve ímpeto e tática, mas lhe faltou contundência, defeito já exibido nesta Copa. Um arcano do futebol, impossível de decifrar quando uma equipe reúne Messi, Agüero, Di María, Higuaín, Tévez… Contra a Colômbia, Ospina, o goleiro, fez a sua parte. Começou com uma dupla defesa antológica. Primeiro evitou com os pés um chute à queima-roupa do oportunista Agüero, e depois, no rebote, espalmou uma cabeçada de Messi quase sobre a linha do gol. O goleiro ainda estava no chão, mas, como se tivesse molas na chuteira, saltou para o milagre. Não foi o único. A ponte num arremate de Otamendi, no segundo tempo, também foi prodigiosa. Com as unhas da mão esquerda desviou a bola para a sua trave esquerda.

A essa altura já corria o segundo tempo, e a Argentina tinha tirado o pé do acelerador, como é seu hábito neste torneio. Di María já não foi o Di María do começo, e Pastore sumiu. Só Messi, já com a posição muito centrada, manteve a pressão. A Colômbia não mudou nada, mas, diante de um rival mais calmo, respirou melhor. James nunca chegou a irromper, Falcao foi igualmente inoperante após substituir Jackson. A Copa América não ressuscitou Falcao, que segue entre trevas, irreconhecível, extraviado. A seleção cafeteira, apesar dos nomes imponentes, foi fogo de palha. Na verdade, nem isso.

Mesmo reduzindo a voltagem, o elenco de Martino ainda teve lampejos de tentar superar Ospina. Não só na defesa extraterrestre para o arremate de Otamendi, pois o goleiro ainda veria Banega chutar no travessão, de longe. A Argentina não conseguia, ficou sem gás e, de forma inesperada dados os seus méritos, viu-se diante do abismo dos pênaltis, num torneio que eliminou as prorrogações. A roleta lhe sorriu após 14 cobranças, quando Tévez deu a estocada final na Colômbia. Angústia demais para um jogo desses.