Dylann Roof

Dylann Roof, autor da chacina de Charleston queria “uma guerra racial”

Dylann Roof enfrenta nove acusações de assassinato e uma por portar armas

Dylann Roof enfrenta nove acusações de assassinato.reuters-live! / AP

As autoridades judiciais da Carolina do Sul acusaram, na sexta-feira, Dylann Roof, o suspeito de matar nove negros em um massacre em uma igreja em Charleston, de assassinar essas pessoas, o que poderia resultar em uma condenação à pena de morte.

Roof, jovem branco de 21 anos, confessou à polícia haver cometido o massacre da noite de quarta-feira em uma histórica igreja afro-americana, alegando que queria iniciar uma guerra racial, segundo fontes da investigação citadas pela imprensa americana.

O ritual é similar. Depois de cada assassinato em massa nos Estados Unidos, surgem as mesmas perguntas. O que leva uma pessoa a abrir fogo indiscriminadamente? Isso poderia ter sido evitado? Deveria ser mais difícil adquirir armas de fogo?

Obama, durante seu discurso.AP / REUTERS-LIVE!

Após o caso de Roof, ainda restam muitas incógnitas a serem resolvidas, mas as primeiras informações esboçam o perfil de uma pessoa reservada, que odeia os afro-americanos e que acredita que agiu guiada por um suposto afã de justiça. Depois de ser preso, na quinta-feira, e trasladado a um centro de detenção nos arredores de Charleston, Roof confessou à polícia que foi o autor dos disparos e revelou que queria iniciar uma “guerra racial”, segundo fontes da investigação citadas pela emissora "CNN".

Segundo a emissora “NBC”, ele tentava cumprir uma “missão”, mas teve dúvidas até o último momento: Roof teria dito à polícia que “quase" não realizou o ataque "porque todo mundo era muito amável com ele”.

Um dia depois do massacre, a família de Roof emitiu um comunicado para manifestar suas "condolências" às vítimas e sua "pena e incredulidade" em relação ao que aconteceu.

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Um juiz decretou que Roof continue detido e afirmou que tem autoridade para estabelecer uma fiança apenas para a acusação de porte de armas, que é de um milhão de dólares (cerca de três milhões de reais).

O jovem se apresentou ao juiz por meio de uma videoconferência, de dentro do centro onde está detido, e se limitou a confirmar seus dados pessoais, além de ter se mostrado impassível diante das declarações de vários familiares das vítimas, que estavam na sala de julgamento, e demonstraram compaixão e disposição a perdoá-lo.

Antes de abrir fogo, Roof - que vivia a duas horas, em carro, no norte de Charleston - esteve uma hora na interior da Igreja Episcopal Metodista Africana Emanuel, localizada no centro da pequena cidade, de apenas 127.000 habitantes, e que foi um dos principais portos de chegada de escravos africanos aos Estados Unidos.

A igreja é um dos centros religiosos afro-americanos mais antigos do país e tem um grande peso histórico por haver sido fundada em 1816, por um líder negro abolicionista.

O jovem entrou no local por volta das 20h locais de quarta-feira (21h de Brasília), e se juntou ao grupo de cerca de 12 pessoas que participavam de uma sessão de estudos da Bíblia, em uma sala no subsolo da igreja. Uma hora depois, realizou vários disparos que mataram nove pessoas, todas afro-americanas (entre 26 e 87 anos). Entre elas, o senador democrata estadual (desde 2000) Clementa Pinckney, que era também pastor da igreja e um reconhecido líder da comunidade negra.

Segundo o relato de uma das sobreviventes, Roof não a matou para que ela pudesse contar o que aconteceu. A igreja permanece fechada e interditada por pela polícia.

Durante uma inesperada vigília noturna, em um memorial improvisado e repleto de flores e de dedicatórias, Peggy Blake, uma afro-americana de 49 anos, disse sentir pena de Roof: “Acho que ele não se dá conta do que fez. Deveriam prender seus pais”.

A polícia considera que o jovem cometeu um “crime de ódio”, ou seja, atuou por motivos racistas, mas ele ainda não foi acusado disso. A Carolina do Sul é um dos cinco Estados dos EUA que não tem uma lei para tipificar esses crimes. Nesses casos, normalmente se impõem penas adicionais quando se considera que o acusado agiu motivado por questões de raça, gênero ou orientação sexual.

Diante dessa lacuna judicial, o Governo federal poderia acusar Roof, diretamente, de um crime de ódio. O Departamento de Justiça investiga o tiroteio na igreja como um “ato de terrorismo interno”, segundo um porta-voz citado pela agência de notícias Reuters.

A governadora da Carolina do Sul, a republicana Nikki Haley, defendeu a aplicação da pena de morte, por parte da promotoria, contra o suposto autor do pior ataque a uma igreja negra na história moderna dos EUA. “Isso é um crime absolutamente de ódio”, disse Haley à "NBC". “Falamos com os investigadores [...] eles dizem que viram pura maldade em seus olhos”.

Ainda não se sabe como Roof conseguiu a pistola que utilizou na igreja. Um tio afirmou que o próprio pai do jovem tinha dado a arma de presente pelo aniversário de 21 anos, mas outras informações indicam que Roof a teria comprado. O jovem já havia sido detido em 2015, em um centro comercial, por posse ilegal de um remédio para dependentes químicos e por descumprir uma ordem de afastamento após ameaçar trabalhadores verbalmente.

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