Lei da Terceirização

Em vídeo, Dilma fala sobre salário mínimo, terceirização e protestos

Presidenta sinaliza que vetaria projeto sobre terceirização como saiu da Câmara

É o timbre de sempre, os gestos de sempre, a Dilma de sempre. Mas o canal de comunicação foi a rede social. Em três curtos vídeos, a presidenta mandou o recado pela internet, que costumava dar pela televisão todos os anos, em nome do Dia do Trabalho. Nas gravações, ela olha para a câmera, vestindo um tailleur de meia manga vermelha. No primeiro, ela lembra da política de valorização do salário mínimo nos anos do Governo do PT. No segundo, reforça a mensagem de que é preciso aprovar um projeto de terceirização que diferencie a atividade meio e a atividade fim. “É preciso manter a diferenciação entre o que é a atividade meio e a atividade fim. E manter as garantiras de direitos conquistados, protegendo a previdência de perdas de recursos”, afirmou.

A atividade meio são todas aquelas que não estão diretamente ligadas ao coração de um negócio: desde limpeza, a segurança, ou prestações de serviço complementar ao que for central para uma companhia. A atividade fim de uma montadora, por exemplo, é a construção de carros. Mas nada impede que o design, ou algumas atividades da linha de fábrica, sejam terceirizadas.

As palavras de Rousseff deixam claro que se o PL, que passou pela Câmara sem separar essas duas categorias, chegar a sua mãos dessa forma, será vetado por ela. O projeto, em todo caso, deve ser modificado antes no Senado, onde deu entrada nesta semana, pois o presidente da Casa, Renan Calheiros, já sinalizou a lideranças sindicais que não tem pressa para votar o projeto, e que ouvirá a sociedade antes.

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Protestos

Criticada por ter se acuado depois do panelaço de 8 de março, a mandatária procurou citar os protestos como parte de um processo democrático, o que pode ser interpretado como uma leitura sua para compreender o momento que vive, mas também uma indireta para o governador Beto Richa, que acaba de reprimir um protesto dos professores com emprego de balas de borracha e bombas de gás. No terceiro vídeo, Rousseff afirma que é preciso se acostumar às vozes das ruas, aos pleitos dos trabalhadores. “Temos de reconhecer como legítimas as reivindicações de todos os setores sociais da nossa população . Temos de fazer isso sem violência e sem repressão”. afirmou, antes de dizer que estava lançando um Fórum sobre Emprego, reunindo lideranças empresariais e sindicais para debater a sustentabilidade da previdência e modelos para melhorar geração de emprego e produtividade.

A tática antipanelaço mostrou-se efetiva, ao menos por garantir o silêncio nas ruas. Mas, não passou despercebido pelo site de humor Sensacionalista. Com a manchete “Tramontina lança panela com wifi que avisa quando discursos de Dilma estão na internet”, o site ironizou a estratégia da presidenta, anti-protestos. Um internauta até procurou inovar, ao postar o seu protesto solitário no Youtube - filmou o vídeo de Rousseff enquanto ele gritava “Fora Dilma”. Mas, até a tarde desta sexta, seu protesto virtual tinha alcançado menos de 40 visualizações.