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Os ‘fracassos’ de Antônio Abujamra

Dono de uma voz e uma erudição envolventes, o ator e diretor morto nesta terça deixa novelas, filmes, peças e entrevistas para relembrar

Abujamra na pele do bruxo Ravengar em 'Que rei sou eu?'.
Abujamra na pele do bruxo Ravengar em 'Que rei sou eu?'.

“A gente precisa fazer um fracasso juntos. Fracasso é muito mais divertido”, disse Antonio Ambujamra, certa vez, ao amigo Jô Soares. Jô recordou a conversa ao falar sobre a despedida do ator e diretor de teatro, que morreu de problemas cardíacos aos 82 anos, na madrugada desta terça-feira, enquanto dormia em São Paulo. Em tempos em que o discurso é tão outro – e tão sério –, o convite se estende a todos nós.

Não muito parecia assustar essa grande personalidade da cultura brasileira – dono de uma voz, uma pinta e uma erudição pop tão marcantes, que certamente nunca será esquecido. Filósofo e jornalista de formação, Abujamra teve sua imagem fortemente associada à novela Que rei sou eu?, exibida pela Globo em 1989. No folhetim, de enorme sucesso à época, tanto de público como de crítica, ele interpretava Ravengar, bruxo da corte do reino de Avilan, em 1786, antes da Revolução Francesa.

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Mas o legado de Abu – como era carinhosamente chamado – é muito mais extenso. Recitava prosa e poesia sem receios e como ninguém. Era um pensador, íntimo, ademais, de um humor inteligente e refinado. Foi um dos primeiros atores brasileiros a adotar as técnicas contemporâneas de Bertolt Brecht e Roger Planchon. Exerceu crítica teatral desde muito cedo. Desde 2000, apresentava o programa de entrevistas Provocações, na TV Cultura.

Na arte de entrevistar, por sinal, fazia provocações como ninguém. Tanto que terminava cada episódio de seu programa com a pergunta: “O que é a vida?”.

Relembre alguns de seus deliciosos ‘fracassos’ na seleção de vídeos abaixo.

Abujamra entrevista ele mesmo para o Provocações:

Neste episódio do programa, a entrevistada de Abu é Ruth Escobar, rainha do teatro brasileiro e uma das figuras mais atuantes do cenário cultural do país:

No filme Festa, de Ugo Giorgetti, ele é protagonista de uma história em que um tocador de gaita, um jogador de sinuca e seu velho assistente são convidados para animar uma festa de granfinos:

Cena de Que rei sou eu? em que Ravengar propõe o plano de substituição do herdeiro por um mendigo à rainha Valentine (Tereza Rachel):

E, por último, o avô Abujamra declara que “o importante não é o amor, e sim a gentileza” durante um despretensioso almoço em família:

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