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Professores de São Paulo decidem manter greve. Veja o que argumentam

Categoria quer equiparação salarial com demais profissionais de nível superior no Estado

Professores em Assembleia na Paulista. Ampliar foto
Professores em Assembleia na Paulista. Inácio Teixeira/Coperphoto/Apeoesp

Há mais de 40 dias em greve, os professores da rede estadual de ensino de São Paulo realizaram na tarde desta sexta-feira mais uma manifestação para pedir por “salário, emprego, condições de trabalho e água para todos”.

Na quinta-feira, houve uma reunião entre líderes da categoria e o secretário de Educação, Herman Voorwald. Não houve acordo. Segundo os professores, que pedem 75% de aumento para que o salário da categoria fique equiparado aos outros profissionais com ensino superior, o secretário afirmou que fará uma proposta de aumento apenas em julho.  “Isso significa que ele propôs aumento de zero por cento”, disse Fabio de Moraes, vice-presidente da Apeoesp, no carro de som.

Propor um aumento em julho foi uma das principais razões que levaram os professores a cruzarem os braços em escolas de todo o Estado. Isso porque a data-base para o reajuste da categoria teria sido em março. “Só que em março, ele disse que negociaria em abril”, disse Isabel Noronha, presidenta da Apeoesp. “Agora em abril, ele diz que só vai negociar em julho.” Por isso, em assembleia realizada nesta sexta-feira, a categoria decidir continuar em greve. “Não temos a menor perspectiva de quanto e quando esse reajuste virá”, disse Noronha. O Governo de Geraldo Alckmin tem repetido que a greve é política e tem baixa adesão.

Nesta sexta-feira, após a assembleia realizada em frente ao MASP, os professores marcharam pela rua da Consolação até a Praça da República, onde fica a sede da secretaria da Educação do Estado. Segundo a Apeoesp, eram 50.000 pessoas. A Polícia Militar estimou 3.000. Apenas uma faixa, tanto da avenida Paulista quanto da rua da Consolação, foram fechadas ao trânsito. A marcha tomou alguns quilômetros das vias.

Além do atraso na negociação, o reajuste que o Governo afirma ter dado à categoria, segundo a Apeoesp, não é real. A secretaria diz que os professores receberam um reajuste de 45% diluído nos últimos quatro anos. De acordo com Isabel Noronha, o cálculo incluiu a bonificação para chegar a esse número, atingindo um percentual que não é real. Segundo a Apeoesp, o aumento, considerado só o salário-base, foi de 29%, parcelado em quatro anos.

Anualmente, todos os alunos da rede estadual fazem uma avaliação para chegar ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDESP). Para que os professores recebem o bônus, o índice da escola deve ser acima da média nacional e acima da média tirada pela instituição no ano anterior. O bônus varia de zero a 13.000 reais para professor, dependendo da nota tirada. “Já teve holerite cujo bônus chegou em centavos”, disse Isabel. “E isso é ruim, porque coloca o professor como culpado de uma nota ruim que o aluno tira, sem levar em conta as condições precárias de trabalho.”

Outra reivindicação da categoria é equiparação salarial. De acordo com o Plano Nacional de Educação, lançado pelo Governo Federal em 2013, até 2020, os salários dos professores devem estar equiparados aos dos profissionais com ensino superior. Em São Paulo, o piso salarial dos professores é de 2.460 reais. A média do salário dos profissionais com ensino superior é de 4.237 reais. “Apresentar zero por cento de aumento, nesse contexto, é uma provocação do secretário”, diz Isabel Noronha.

A professora de sociologia Ângela Dias de Aguiar, de 38 anos, dá 40 horas de aula por semana e ganha o piso salarial. “Moro com meus pais, porque sozinha seria muito difícil pagar as contas”, diz. Ela leciona na escola estadual Margarida Parolli, em Limeira, no interior do Estado e estava em São Paulo para participar da manifestação. Segundo a professora, o aumento real que recebeu no salário no ano passado não chega a 100 reais. “Alckmin não cumpre a lei do piso [a equiparação salarial]”, diz ela, que dá aula para classes com uma média de 40 alunos, na periferia da cidade.

Uma nova assembleia está marcada para a próxima quinta-feira, às 14h, no MASP. No dia seguinte, dia do trabalho, os professores também prometem fazer parte da mobilização.

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