Republicanos atacam Hillary Clinton

Pré-candidatos criticam seus laços com Obama e citam ataque ao consulado em Bengasi

Hillary Clinton
Clinton, em um evento em março. AFP

Os laços com o presente e o passado, e os escândalos. Esses serão os dois pilares da estratégia do Partido Republicano contra Hillary Clinton a julgar pelas reações iniciais ao anúncio de que será candidata às eleições presidenciais de 206 nos Estados Unidos. Todos sabem que a democrata Clinton é a favorita e não há tempo a perder. A campanha de ataques, que deve ser feroz, começou quase ao mesmo tempo em que era divulgado no domingo pela Internet o vídeo no qual a ex-primeira-dama confirmou sua aventura eleitoral, após meses de intermináveis rumores.

Os senadores republicanos Rand Paul e Ted Cruz – que anunciaram oficialmente sua pré-candidatura eleitoral – e o ex-governador da Flórida Jeb Bush – de quem se espera que apresente a sua – responderam com as mesmas armas de Clinton. Nas redes sociais, publicaram vídeos e mensagens sobre suas posições políticas e com críticas à secretária de Estado no primeiro mandato do democrata Barack Obama.

Ao anunciar na segunda-feira sua candidatura eleitoral, o senador Marco Rubio também disparou contra Hillary Clinton, que na terça-feira participa em Iowa de seu primeiro ato público desde o anúncio de sua candidatura.

A tese em comum é que a ex-senadora representa o passado e todos os males presentes do Governo Obama, e não é confiável pelas polêmicas que a cercam: as mais recentes, o fato de que só mandou um e-mail privado no Departamento de Estado, e sua gestão do ataque ao consulado norte-americano em Bengasi (Líbia) em 2012, no qual morreram o embaixador e três diplomatas. Como contraponto, os republicanos posicionam-se com um discurso de renovação, enquanto enfatizam a importância de “parar” Clinton.

Para os republicanos, Clinton representa o passado e todos os males presentes do Governo Obama, e não é confiável pelas polêmicas que a cercam

Bush – o republicano melhor colocado nas pesquisas – criticou a política exterior e econômica de “Obama e Clinton”, e prometeu que “as ideias conservadoras renovarão a América”. A incógnita é até que ponto Bush jogará a carta de que Clinton representa o passado e o establishment, uma vez que ele o personifica perfeitamente por ser filho e irmão de ex-presidentes.

“A América quer um terceiro mandato de Obama ou estamos prontos para uma liderança conservadora forte que faça a América grande novamente?”, perguntou Cruz, da ala beligerante do Tea Party, em sua fala. Em tom semelhante, o Comitê Nacional Republicano apelidou a candidatura de Clinton, após sua tentativa falha de 2008, de “mais do mesmo”.

O libertário Paul considerou que uma presidência de Clinton seria um “desastre” porque os escândalos a “desqualificam” para liderar o país. E criticou a “máquina” política que ela representa, mesma opinião do editorial de segunda-feira do jornal The Wall Street Journal.

A retórica também tem finalidade de marketing: em sua página na Internet, Paul comercializa camisas, cartazes e hard drives – em uma referência ao servidor doméstico no qual Clinton armazenava seus e-mails como chefa da diplomacia – com a mensagem “Liberdade, não Hillary”.

Clinton reitera o tom esquerdista e em uma mensagem a simpatizantes lamenta que “o executivo-chefe ganhe em média 300 vezes mais que o trabalhador”

Para além de seu partidarismo, as críticas republicanas evidenciam alguns dos desafios que Clinton enfrentará – já que se espera que consiga a indicação democrata sem dificuldades – nos longos 19 meses de campanha até a eleição. Principalmente, como abordará seus laços com o Governo Obama (se o apoiará totalmente ou terá um perfil próprio), a sensação de opacidade que cerca algumas de suas polêmicas e em que grau destacará sua contribuição à frente do Departamento de Estado agora que algumas de suas estratégias (a campanha militar contra o regime líbio ou a aproximação com a Rússia) fracassaram.

No vídeo de seu anúncio, Clinton elogia as políticas econômicas do presidente e abraça suas queixas – e as do setor esquerdista do partido – pelo aumento da desigualdade de renda. Um postulado que reafirmou na segunda-feira em um e-mail a simpatizantes no qual lamenta as dificuldades de algumas famílias em um momento que “o executivo-chefe ganha em média 300 vezes mais do que o trabalhador”.

No vídeo, Clinton também apoia-se no perfil dos eleitores – com diversidade racial e sexual – que levantaram Obama nas eleições. Mas não oferece soluções concretas e nos últimos meses distanciou-se de alguns aspectos da política exterior do presidente, como a crise na Síria ou as negociações nucleares com o Irã.

Do lado democrata, foram só elogios. E por enquanto o único rival possível de Clinton, o ex-governador de Maryland Martin O´Malley, que pensa em candidatar-se, não comentou sobre o vídeo. O Comitê de Campanha Democrata do Congresso destacou que Clinton trará “experiência e energia” à campanha. E a organização feminista EMILY´s List frisou a contribuição a favor dos direitos da mulher daquela que seria a primeira presidenta dos EUA. Recebeu também apoios de fora da estrutura política: o maior sindicato do país elogiou o vídeo da candidatura.

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