_
_
_
_

Republicanos atacam Hillary Clinton

Pré-candidatos criticam seus laços com Obama e citam ataque ao consulado em Bengasi

Clinton, em um evento em março.
Clinton, em um evento em março.DON EMMERT (AFP)

Os laços com o presente e o passado, e os escândalos. Esses serão os dois pilares da estratégia do Partido Republicano contra Hillary Clinton a julgar pelas reações iniciais ao anúncio de que será candidata às eleições presidenciais de 206 nos Estados Unidos. Todos sabem que a democrata Clinton é a favorita e não há tempo a perder. A campanha de ataques, que deve ser feroz, começou quase ao mesmo tempo em que era divulgado no domingo pela Internet o vídeo no qual a ex-primeira-dama confirmou sua aventura eleitoral, após meses de intermináveis rumores.

Os senadores republicanos Rand Paul e Ted Cruz – que anunciaram oficialmente sua pré-candidatura eleitoral – e o ex-governador da Flórida Jeb Bush – de quem se espera que apresente a sua – responderam com as mesmas armas de Clinton. Nas redes sociais, publicaram vídeos e mensagens sobre suas posições políticas e com críticas à secretária de Estado no primeiro mandato do democrata Barack Obama.

Mais informações
A mensagem de Clinton, uma guinada a um EUA mais jovem e diverso
A história de quando Hillary começou a ser Hillary
Clinton e Bush, a volta das dinastias
Hillary Clinton anuncia que será candidata às eleições de 2016
Marco Rubio anuncia candidatura à presidência dos Estados Unidos

Ao anunciar na segunda-feira sua candidatura eleitoral, o senador Marco Rubio também disparou contra Hillary Clinton, que na terça-feira participa em Iowa de seu primeiro ato público desde o anúncio de sua candidatura.

A tese em comum é que a ex-senadora representa o passado e todos os males presentes do Governo Obama, e não é confiável pelas polêmicas que a cercam: as mais recentes, o fato de que só mandou um e-mail privado no Departamento de Estado, e sua gestão do ataque ao consulado norte-americano em Bengasi (Líbia) em 2012, no qual morreram o embaixador e três diplomatas. Como contraponto, os republicanos posicionam-se com um discurso de renovação, enquanto enfatizam a importância de “parar” Clinton.

Para os republicanos, Clinton representa o passado e todos os males presentes do Governo Obama, e não é confiável pelas polêmicas que a cercam

Bush – o republicano melhor colocado nas pesquisas – criticou a política exterior e econômica de “Obama e Clinton”, e prometeu que “as ideias conservadoras renovarão a América”. A incógnita é até que ponto Bush jogará a carta de que Clinton representa o passado e o establishment, uma vez que ele o personifica perfeitamente por ser filho e irmão de ex-presidentes.

“A América quer um terceiro mandato de Obama ou estamos prontos para uma liderança conservadora forte que faça a América grande novamente?”, perguntou Cruz, da ala beligerante do Tea Party, em sua fala. Em tom semelhante, o Comitê Nacional Republicano apelidou a candidatura de Clinton, após sua tentativa falha de 2008, de “mais do mesmo”.

O libertário Paul considerou que uma presidência de Clinton seria um “desastre” porque os escândalos a “desqualificam” para liderar o país. E criticou a “máquina” política que ela representa, mesma opinião do editorial de segunda-feira do jornal The Wall Street Journal.

A retórica também tem finalidade de marketing: em sua página na Internet, Paul comercializa camisas, cartazes e hard drives – em uma referência ao servidor doméstico no qual Clinton armazenava seus e-mails como chefa da diplomacia – com a mensagem “Liberdade, não Hillary”.

Clinton reitera o tom esquerdista e em uma mensagem a simpatizantes lamenta que “o executivo-chefe ganhe em média 300 vezes mais que o trabalhador”

Para além de seu partidarismo, as críticas republicanas evidenciam alguns dos desafios que Clinton enfrentará – já que se espera que consiga a indicação democrata sem dificuldades – nos longos 19 meses de campanha até a eleição. Principalmente, como abordará seus laços com o Governo Obama (se o apoiará totalmente ou terá um perfil próprio), a sensação de opacidade que cerca algumas de suas polêmicas e em que grau destacará sua contribuição à frente do Departamento de Estado agora que algumas de suas estratégias (a campanha militar contra o regime líbio ou a aproximação com a Rússia) fracassaram.

No vídeo de seu anúncio, Clinton elogia as políticas econômicas do presidente e abraça suas queixas – e as do setor esquerdista do partido – pelo aumento da desigualdade de renda. Um postulado que reafirmou na segunda-feira em um e-mail a simpatizantes no qual lamenta as dificuldades de algumas famílias em um momento que “o executivo-chefe ganha em média 300 vezes mais do que o trabalhador”.

No vídeo, Clinton também apoia-se no perfil dos eleitores – com diversidade racial e sexual – que levantaram Obama nas eleições. Mas não oferece soluções concretas e nos últimos meses distanciou-se de alguns aspectos da política exterior do presidente, como a crise na Síria ou as negociações nucleares com o Irã.

Do lado democrata, foram só elogios. E por enquanto o único rival possível de Clinton, o ex-governador de Maryland Martin O´Malley, que pensa em candidatar-se, não comentou sobre o vídeo. O Comitê de Campanha Democrata do Congresso destacou que Clinton trará “experiência e energia” à campanha. E a organização feminista EMILY´s List frisou a contribuição a favor dos direitos da mulher daquela que seria a primeira presidenta dos EUA. Recebeu também apoios de fora da estrutura política: o maior sindicato do país elogiou o vídeo da candidatura.

Tu suscripción se está usando en otro dispositivo

¿Quieres añadir otro usuario a tu suscripción?

Si continúas leyendo en este dispositivo, no se podrá leer en el otro.

¿Por qué estás viendo esto?

Flecha

Tu suscripción se está usando en otro dispositivo y solo puedes acceder a EL PAÍS desde un dispositivo a la vez.

Si quieres compartir tu cuenta, cambia tu suscripción a la modalidad Premium, así podrás añadir otro usuario. Cada uno accederá con su propia cuenta de email, lo que os permitirá personalizar vuestra experiencia en EL PAÍS.

En el caso de no saber quién está usando tu cuenta, te recomendamos cambiar tu contraseña aquí.

Si decides continuar compartiendo tu cuenta, este mensaje se mostrará en tu dispositivo y en el de la otra persona que está usando tu cuenta de forma indefinida, afectando a tu experiencia de lectura. Puedes consultar aquí los términos y condiciones de la suscripción digital.

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS
_
_