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Copiloto ocultou que estava em tratamento médico e tinha atestado

Lubitz tinha atestado para não trabalhar no dia da tragédia, mas omitiu da companhia

Investigadores não acharam nenhuma carta na casa dele justificando a ação

Investigadores deixam a casa do copiloto.

A promotoria de Düsseldorf, na Alemanha, informou na sexta-feira que Andreas Lubitz, de 27 anos, o copiloto da Germanwings que supostamente derrubou propositalmente o avião, causando a morte dele próprio e de mais 149 pessoas que estavam a bordo do Airbus A320 que ia de Barcelona a  Düsseldorf na última terça-feira, “ocultou” da companhia aérea e de seus companheiros que estava em tratamento médico, mas não especificou qual era a doença.

A revista do apartamento que o jovem tinha em Düsseldorf foi fundamental. Os policiais não encontraram lá uma carta de despedida ou material político ou religioso que pudesse sugerir um atentado terrorista. Foram encontrados documentos médicos que revelaram que estava em tratamento médico e que tinha até mesmo uma licença médica para o dia do acidente. Segundo a promotoria, a polícia encontrou esta licença rasgada em pedaços.

O comunicado da promotoria não menciona uma possível doença mental e indica que ainda irá demorar alguns dias para analisar a informação encontrada nos registros. Quando a promotoria obter provas conclusivas, após avaliar a documentação e os depoimentos recolhidos, informará novamente as famílias das vítimas e a opinião pública.

Segundo o jornal alemão Bild, a licença médica foi por uma “depressão grave”. Autoridades ainda não confirmaram a informação

Os moradores de Montabaur, onde Andreas Lubitz vivia com seus pais, acordaram sobressaltados pela notícia recebida no dia anterior de que o jovem quis suicidar-se levando junto a vida de 149 passageiros. Mas enquanto os habitantes dessa pequena cidade do oeste da Alemanha não encontram respostas e só repetem que parecia um bom rapaz, a prova definitiva parece vir de Düsseldorf. No apartamento que Lubitz tinha nesta cidade, a polícia encontrou uma prova que, segundo diversos meios de comunicação alemães, pode ajudar a explicar o trágico acontecimento. Essa prova estaria relacionada com os problemas psiquiátricos do jovem.

Um porta-voz da promotoria confirmou para o EL PAÍS que foram encontrados “papéis e objetos” na moradia do jovem que agora deverão ser investigados. São decisivos para explicar o ocorrido? “Ainda não podemos dizer. Faremos um comunicado na manhã de sexta-feira que responderá algumas perguntas”, responde.

As especulações surgiram depois do presidente da Lufthansa, Carsten Spohr, reconhecer em uma entrevista coletiva na quinta-feira que Lubitz interrompeu seus estudos seis anos atrás e esteve um período em licença médica. Spohr não explicou por que, por motivos “confidenciais”, mas frisou que o copiloto passou em todos os testes. “Era 100% apto para voar”, reiterou.

Segundo o jornal sensacionalista alemão Bild, sua licença médica foi por uma “depressão grave”. Citando documentos internos e “fontes da Lufthansa”, o jornal diz que em 2009 ele deixou a escola de formação e passou seis meses em tratamento psiquiátrico. A mencionada “depressão grave” ficou constatada na ata sobre o copiloto do departamento de tráfego aéreo alemão sob o código “SIC”, que refere-se à necessidade do afetado se submeter a “revisões médicas regulares”. A rede de televisão pública ARD também confirmou este último detalhe.

Lubitz realizou os testes de segurança aos quais a tripulação da cabine é submetida por parte do órgão de supervisão aérea. E os resultados foram os habituais, segundo fontes da Prefeitura de Düsseldorf. Em janeiro passou também pelo controle de segurança que é aplicado periodicamente aos pilotos. Não cometeu nenhum delito nem participou de atividades extremistas. Lubitz submeteu-se a este mesmo controle em 2008 e 2010.

O copiloto começou sua formação como piloto aos 14 anos no clube aéreo LSC Westerwald de Montabaur e entrou na escola de Bremen da Lufthansa em 2007. Em 2009 interrompeu os estudos, que retomou posteriormente até entrar na Germanwings, subsidiária da Lufthansa, em 2013. Acumulava 630 horas de voo. 

Klaus Ratke, que o conhecia desde os 14 anos, nunca notou nada de estranho com ele. “Era um rapaz amável, com muitos amigos. Totalmente normal”, afirmou Ratke, presidente do LSC Westerwald, na quinta-feira. Uma porta-voz da Lufthansa afirmou na sexta-feira que a companhia aérea não vai falar sobre o estado mental do piloto.

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