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Estados Unidos cogitam reduzir apoio a Israel na ONU

Casa Branca avalia proteção ao país depois de Netanyahu rejeitar o Estado palestino

John Earnest, porta-voz da Casa Branca.
John Earnest, porta-voz da Casa Branca.Susan Walsh / AP

O Governo dos Estados Unidos deu na quinta-feira mais um passo em suas críticas à retórica adotada pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, durante a sua recente campanha eleitoral. A Casa Branca abriu caminho para uma redução do seu sistemático apoio diplomático a Israel na ONU, depois de Netanyahu declarar, às vésperas da votação da terça-feira, que não permitiria a criação de um Estado palestino se fosse reeleito para um quarto mandato.

“As medidas que os Estados Unidos tomaram na ONU haviam se baseado nessa ideia de que a solução com dois Estados é o melhor resultado”, disse o porta-voz da Casa Branca, John Earnest, no seu encontro diário com jornalistas, logo depois de Netanyahu abrandar sua posição numa entrevista ao canal MSNBC. “Agora nosso aliado nesse diálogo disse que já não está mais comprometido com essa solução. Isso significa que teremos de reavaliar nossa posição a respeito desse assunto, e isso é o que vamos fazer de agora em diante.”

O porta-voz do presidente Barack Obama já havia falando em reavaliação na quarta-feira, mas sem mencionar seu possível impacto na ONU. Os EUA, graças a seu poder de veto no Conselho de Segurança, barram recorrentemente iniciativas em prol do reconhecimento de um Estado palestino.

Em dezembro, por exemplo, os EUA votaram contra uma proposta de resolução que exigia a desocupação israelense dos territórios palestinos até o final de 2017, acompanhada de uma negociação que se baseasse nas fronteiras anteriores à guerra de 1967.

Até agora, Washington justificava sua oposição a esse tipo de resolução argumentando que elas repercutiriam negativamente no processo de paz entre Israel e os palestinos. Um menor apoio norte-americano na ONU resultaria em um maior isolamento diplomático de Israel, num momento em que cresce também a oposição nos EUA e Europa à ampliação de assentamentos israelenses na Cisjordânia. Earnest disse que nenhuma decisão foi tomada até agora, mas salientou que no passado as decisões dos EUA sempre “protegeram Israel do isolamento na comunidade internacional”.

Em outro sinal do mal-estar norte-americano, o porta-voz minimizou as tentativas de Netanyahu de desdizer sua oposição a um Estado palestino. “O que parece é que, no contexto da campanha e enquanto foi primeiro-ministro de Israel, ele deu marcha a ré em compromissos que Israel adotara previamente com relação a uma solução com dois Estados”, disse Earnest. À MSNBC, Netanyahu havia declarado depois de reeleito: “Não quero uma solução com um só Estado, quero uma com dois Estados e que seja sustentável, mas as circunstâncias ainda precisam mudar para que isso seja possível”.

Por telefone, Obama reiterou a Netanyahu seu compromisso com uma solução que envolva dois Estados: um Israel “seguro” e uma Palestina “viável e soberana”

O presidente Obama conversou na quinta-feira por telefone com Netanyahu para cumprimentá-lo por sua vitória eleitoral e enfatizar a “importância” para os EUA da cooperação com Israel nos âmbitos militar, de segurança e de inteligência, segundo um comunicado da Casa Branca.

Ambos abordaram o “difícil caminho pela frente” na solução do conflito do Oriente Médio, e Obama reiterou o seu compromisso com uma solução que envolva dois Estados – um Israel “seguro” e uma Palestina “viável e soberana”.

Washington e Jerusalém mantêm uma estreita relação em matéria de segurança, mas o entendimento se debilitou nos últimos meses. A relação entre Obama e Netanyahu é tensa há tempos, mas o clima piorou ainda mais no começo do mês, quando o primeiro-ministro israelense criticou no Congresso dos EUA – onde foi convidado pela oposição republicana e sem avisar à Casa Branca – as negociações de Washington e outras cinco potências com o Irã a respeito de seu programa nuclear, cujo prazo para chegar a um acordo termina no fim deste mês.

Na conversa telefônica, a primeira depois do polêmico discurso no Congresso, o presidente norte-americano insistiu em que o objetivo é obter um acordo que impeça o Irã de obter uma arma nuclear e garanta de forma confiável à comunidade internacional a “natureza exclusivamente pacífica” do programa nuclear iraniano.

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