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O Estado Islâmico no Twitter: um califado com 46.000 mísseis

Maioria dos fiéis aos jihadistas na rede social escreve em árabe e vive em países alvo

Twitter iniciou um campanha contra perfis de jihadistas: 1.000 contas foram apagadas

Perfil do Comando Central dos EUA após ataque de hackers ligados ao EI.
Perfil do Comando Central dos EUA após ataque de hackers ligados ao EI.

Os analistas norte-americanos J. M. Berger e Jonathon Morgan dizem que, para que um usuário do Twitter seja considerado seguidor do Estado Islâmico (EI), não basta que conte em tuítes as leviandades do grupo jihadista. É preciso que algum dos internautas já vinculados ao EI na rede siga seu perfil. Olhando a lista de seguidores de @aboojaber111 – por exemplo – não resta dúvida de que integra esse exército de radicais. Segundo estudo publicado na sexta-feira por Berger e Morgan para a Brookings Institution, o número de tuiteiros do EI, em dezembro de 2014, era de pelo menos 46.000 fiéis.

A Arábia Saudita aparece em primeiro lugar no mapa do exército online do grupo, seguida por Síria e Iraque. EUA aparece em quarto lugar

O usuário @aboojaber111, que usa como ilustração de sua conta uma foto do líder ideológico jihadista Anuar al Aulaki, escreve seus tuítes em árabe. Segundo a radiografia feita pela Brookings, o idioma também é utilizado por três de cada quatro seguidores identificados do EI. Um de cada cinco usa o inglês. “Isso deixa claro”, diz o professor Manuel Torres, especialista em estudos nas redes e dos jihadistas, “que o grosso dos perfis vinculados ao EI é de árabes para árabes”

Segundo o estudo, a Arábia Saudita aparece em primeiro lugar no mapa do exército online do grupo, seguida por Síria e Iraque. O dado confirma os fluxos de combatentes estrangeiros que viajam para o califado. O que chama a atenção é o seguinte: o quarto lugar é ocupado pelos Estados Unidos, país de onde não saíram mais do que 200 jihadistas com rumo à Síria. No fim da lista, no entanto, está a Tunísia, que está na frente junto com a Arábia Saudita no envio de combatentes às trincheiras na Síria e no Iraque, com cerca de 3.000.

Essa radiografia questiona qual é a força das redes sociais para atrair os jihadistas. “O fato de eles difundirem suas mensagens nas mesmas redes que a gente confunde a presença e proximidade com a relevância”, diz o professor Torres.

Berger e Morgan concluem que os fiéis do Estado Islâmico têm uma média de 1.000 seguidores, acima da media do usuário comum. Mas esclarecem que o peso desse exército de tuiteiros está concentrado numa vanguarda de 500 a 2.000 internautas, que acumulam o maior volume de mensagens.

Suas contas deveriam ser suspensas? Em seu estudo, Berger é a favor de controlar o fluxo, mas sem cortar a fonte de uma informação muito valiosa para os serviços de inteligência. Por exemplo, em 2 de março, @aboojaber111 postou uma foto de um combatente estrangeiro com um lança-mísseis TOW, arma de fabricação norte-americana. Como chegou lá?

O Twitter iniciou um campanha firme contra perfis de jihadistas em setembro: erradicou em três meses 1.000 contas vinculadas ao EI. Segundo o estudo da Brookings, a ofensiva atacou tuiteiros muito potentes, com mais de 1.995 seguidores, uma media de 46,6 tuítes por dia, e 141,2 retuítes recebidos. O esquadrão jihadista online foi reduzido temporariamente, segundo o estudo, mas continuou caminhando.

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