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China aumentará em 10% seu orçamento com Defesa em 2015

“Modernização militar é parte da modernização do país”, diz porta-voz chinês

A China aumentará seu orçamento militar em aproximadamente 10% em 2015, conforme anúncio feito por uma porta-voz do Governo. Mais uma vez, Pequim chega à marca dos dois dígitos na expansão da sua verba de defesa, como já vem sendo habitual nos últimos anos, refletindo uma política de modernização do Exército. A cifra exata será revelada nos próximos dias, durante a sessão anual da Assembleia Nacional Popular (Parlamento).

Segundo país do mundo com mais gasto militar, atrás apenas dos Estados Unidos, a China destinou em 2014 uma verba de quase 800 bilhões de yuanes (374 bilhões de reais) para a sua defesa, de acordo com dados oficiais. A modernização das Forças Armadas é um projeto que o regime impulsiona há duas décadas, mas que ganhou um novo impulso com a ascensão ao poder do presidente Xi Jinping, há dois anos. Ele tem falado sobre um “Exército chinês dos sonhos”, no qual essa força, além de defender eficazmente o território, manteria o espírito de dedicação dos primeiros tempos após a revolução comunista de 1949.

A meta de crescimento econômico para este ano deve ser em torno de 7% – a menor dos últimos anos

Do total do orçamento militar chinês, um terço é destinado ao pagamento aos 2,3 milhões de integrantes do Exército Popular de Libertação, e o restante à formação de pessoal e aquisição e manutenção de equipamentos.

O orçamento militar dos EUA, para efeito de comparação, é cerca de cinco vezes superior ao chinês.

Num sinal das ambições chinesas, Pequim há dois anos já conta com o seu primeiro porta-aviões, chamado Liaoning, uma embarcação ucraniana reformada, e está construindo um segundo, de acordo com informações divulgadas no mês passado pela imprensa local, mas que foram posteriormente censuradas.

“A China é um grande país que precisa proteger sua segurança nacional”, afirmou Fu Ying, porta-voz da sessão anual do Parlamento, em uma entrevista coletiva na qual apresentou os objetivos da nova legislatura. “A modernização militar é parte da modernização do país”, acrescentou.

Apesar da modernização dos últimos 20 anos, o Exército chinês apresenta “pontos frágeis potencialmente graves” que podem impedi-lo de cumprir as missões necessárias, segundo um relatório da instituição norte-americana RAND Corporation apresentado em fevereiro.

A aceleração do projeto militar no mandato de Xi coincide também com uma fase de tensões exacerbadas entre a China e seus vizinhos por causa de disputas territoriais nos mares do Sul e Leste da China. Xi, que como presidente da Comissão Militar Central é também o comandante-em-chefe das forças nacionais, determinou ao Exército que esteja preparado para vencer guerras regionais mediante o uso de tecnologia moderna.

Ao mesmo tempo em que aumenta a verba orçamentária para o Exército, o Governo endurece uma campanha contra a corrupção nas fileiras militares. No ano passado, foi anunciada a prisão de um ex-subcomandante das Forças Armadas, Xu Caihou. Já nesta semana foi divulgado que 14 oficiais de alta patente estão sendo investigados por suspeita de suborno. Vários deles haviam sido recentemente promovidos.

Na quinta-feira, durante a sessão do Parlamento, o primeiro-ministro Li Keqiang deverá apresentar a meta de crescimento econômico para este ano, provavelmente em torno de 7% – a menor dos últimos anos, refletindo o atual cenário de abrandamento do crescimento chinês.

O orçamento militar dos EUA, para efeito de comparação, é cerca de cinco vezes superior ao chinês

Os quase 3.000 participantes na sessão legislativa examinarão também assuntos como os orçamentos regionais e central, a dívida dos Governos locais, a reforma das empresas estatais e a criação de novas zonas especiais de livre comércio. O meio ambiente ocupará um lugar destacado, depois da apresentação nesta semana de um novo plano quinquenal para combater a poluição atmosférica.

Nessa sessão legislativa, será apresentado oficialmente o novo lema ideológico de Xi, relativo às “quatro tarefas integrais”: construção integral de uma sociedade moderadamente próspera;  aprofundamento integral das reformas; um Governo integral segundo os ditames da lei e um domínio integral do Partido Comunista sobre o Governo.

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