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Roupa de angorá que Zara retirou das lojas chega aos refugiados do Líbano

Organizações locais distribuem roupas doadas pela companhia Inditex aos deslocados

Un niño sirio carga ropa donada por Inditex
Menino sírio carrega roupa doada pela Inditex em um campo de refugiados no povoado de al-Bireh, ao norte da cidade portuária de Trípoli, no Líbano. AFP

A roupa de lã de angorá que a Inditex decidiu retirar de suas lojas depois da insistência da organização não governamental PETA (People for the Ethical Treatment of Animais) chegou aos campos de refugiados sírios em Trípoli, no Líbano. A companhia espanhola, matriz da Zara, Bershka, Pull & Bear e Massimo Dutti, prometeu em fevereiro que não voltaria a produzir roupa com esse tipo de material diante das denúncias de maus-tratos que sofrem os animais em sua produção. E se ofereceu para entregar as peças já fabricadas que tinha em estoque a uma ONG para serem distribuídas entre os refugiados da guerra da Síria.

Homem sírio sorri para a câmera depois de receber roupa doada pela empresa espanhola Inditex, distribuída por grupos locais nos campos de refugiados de al-Bireh, ao norte de Trípoli, no Líbano. ampliar foto
Homem sírio sorri para a câmera depois de receber roupa doada pela empresa espanhola Inditex, distribuída por grupos locais nos campos de refugiados de al-Bireh, ao norte de Trípoli, no Líbano. AFP

A Inditex não quis, nesta quarta-feira, comentar a chegada das roupas ao Líbano. Entretanto, uma série de fotografias da agência AFP mostra como a roupa do gigante têxtil está sendo distribuída aos refugiados. Um menino carrega um pacote com roupa e em outra imagem um homem sorri para a câmera com uma peça da Zara amarrada na cabeça. A empresa espanhola, conforme assinala a agência, doou a roupa, mas sua distribuição é realizada por organizações humanitárias locais, embora não especifique quais são.

Depois de anunciar a renúncia à fabricação de peças de angorá, a Inditex afirmou que doaria as roupas remanescentes fabricados no ano passado à ONG Life for Relief and Development, que entregaria 23.000 peças aos refugiados sírios do sul do Líbano. "Só as pessoas que estão realmente desesperadas e não têm acesso às necessidades básicas têm uma desculpa para vestir roupas feitas com pele que foi arrancada de animais vivos", afirmou então a presidenta da PETA, Ingrid E. Newkirk.

Depois de quatro anos de guerra civil síria, o Líbano acolhe 1,16 milhão de refugiados que fogem do conflito, que equivalem a um quarto da população libanesa. Diferentes ONGs e organismos internacionais alertaram sobre a extrema miséria que sofrem os deslocados.

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