Moscou

Lênin vai à sala de cirurgia

Restos do líder soviético serão submetidos a um processo de restauração Mausoléu que conserva a múmia ficará fechado durante dois meses

O corpo embalsamado de Lênin, na tumba.
O corpo embalsamado de Lênin, na tumba.SERGEI KARPUKHIN (AP)

Em cerca de uma dúzia de ocasiões tentaram danificar sua múmia, rompendo o vidro do sarcófago que a protege, a patadas, a pedradas, a marteladas. Até mesmo a tiros. Sofreu dois atentados suicidas que acabaram com a vida de várias pessoas. No ano passado, o mausoléu de Vladimir Ilich Ulianov, Lênin, o líder da revolução russa e primeiro e principal dirigente da URSS, cumpriu 90 anos transformado em uma das principais atrações turísticas de Moscou. Agora, deixará de ser o destaque da cidade durante dois meses. Desde segunda-feira, o monumento que conserva os restos dele na Praça Vermelha está fechado para reformas.

O processo de restauração da múmia, realizado a cada dois anos pelos especialistas do Centro de Tecnologias Médico-Biológicas do Instituto de Plantas Medicinais e Aromáticas da Rússia, consiste em lavar os restos e encharcá-los durante várias horas em soluções apropriadas colocadas em uma banheira. Os especialistas avaliam o estado dos tecidos do corpo, determinam a temperatura e a umidade necessárias dentro do sarcófago, controlam o volume do rosto e das mãos, as partes do corpo diretamente expostas ao público (a roupa cobre o restante).

A roupa do cadáver se deteriora mais rapidamente que os tecidos do seu corpo, segundo os peritos

Segundo os peritos, que participaram do embalsamento das múmias do líder da Coreia do Norte Kim il-Sung e do presidente da Venezuela Hugo Chávez, entre outros, durante os últimos 20 anos não se registrou nenhuma mudança grave na múmia de Lênin. A roupa com a qual o cadáver está vestido se deteriora mais rapidamente do que o tecido do corpo.

Em 27 de janeiro de 1924, seis dias depois de sua morte, o cadáver embalsamado do líder bolchevique foi colocado em um mausoléu temporário de madeira, inaugurado no dia do enterro oficial do fundador do Estado soviético. Em agosto do mesmo ano foi erguida outra edificação, também temporária e de madeira, mas mais ampla que a primeira. A atual, projetada pelo arquiteto Alexei Schusev, viu a luz seis anos mais tarde e representa uma pirâmide escalonada de mármore e granito, um monumento clássico da arquitetura soviética que faz parte do conjunto da Praça Vermelha.

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Durante a II Guerra Mundial, a múmia de Lênin foi trasladada do local onde estava em Moscou para Tiumen, cidade da Sibéria, onde permaneceu pouco menos de quatro anos, no edifício da Academia Estatal da Agricultura. Foi devolvida à capital em abril de 1945. Meses depois de sua morte, em 1953, o cadáver de Josef Stálin, presidente da URSS, foi trasladado ao mesmo mausoléu que acolhia os restos de Lênin. Ali permaneceu por oito anos, até que que Nikita Kruschev decidiu que deveria ser enterrado fora do recinto, na parte externa das muralhas do Kremlin, ao lado das sepulturas de outros líderes e pessoas destacadas da URSS.

Durante muitos anos as filas foram uma paisagem habitual na Praça Vermelha, onde milhares de pessoas se aglomeravam com a intenção de chegar ao panteão de Lênin. Em 1967 e 1973 houve duas tentativas de violar o mausoléu, nas quais morreram várias pessoas, incluindo os agressores. Por causa desse segundo ataque, a múmia foi colocada em um sarcófago de vidro à prova de balas.

Apesar de ser uma atração turística, nos últimos anos surgiram algumas vozes pedindo que o cadáver do pai da revolução russa fosse transferido para outro lugar. Entre as razões apontadas figura o desejo do próprio Lênin que, segundo afirmam alguns historiadores, queria ser enterrado sob a terra, em São Petersburgo, ao lado da mãe e longe do barulho mundano.

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