Procura por trabalho é menor e 2014 fecha com baixo desemprego

Média anual da taxa de desocupação cai para 6,8% , segundo Pnad divulgada pelo IBGE Já no setor industrial, emprego recua 3,2% e tem pior queda desde 2009

Emprego na indústria mostrou recuo de 3,2% em 2014 ante o ano anterior.
Emprego na indústria mostrou recuo de 3,2% em 2014 ante o ano anterior. (Arquivo ABr)

Apesar da desaceleração da economia, a taxa de desemprego no Brasil recuou no ano passado para 6,8%, pouco abaixo dos 7,1% de 2013 e dos 7,2% de 2012, de acordo com a Pnad Contínua, a pesquisa por amostra domiciliar divulgada pelo IBGE. No quarto trimestre, a taxa de desocupação ficou em 6,5%, menor do que os 6,8% do terceiro trimestre. Segundo dados do IBGE, 91,9 milhões de pessoas estavam empregadas no país no fim do ano.

Para especialistas, o resultado estável da taxa de desemprego, no entanto, foi conquistado principalmente pela redução na busca por emprego. A pesquisa feita em 3.000 municípios brasileiros mostra que houve aumento daqueles que estão fora da força de trabalho, ou seja, nem trabalham nem buscam emprego. Segundo dados da Pnad, no último trimestre de 2013, o percentual desse grupo de 14 anos ou mais de idade era de 38,9% e passou para 39,1% no ano passado.

De acordo com o IBGE, há uma grande diferença na desocupação entre homens e mulheres. Nos últimos quatro meses de 2014, a taxa foi estimada em 5,6% para os homens e 7,7% para as mulheres. Nos grupos de 25 a 39, o índice ficou em 6,3% e de 40 a 59 anos de idade, em 3,3%. Os dados mostram que o desemprego entre os mais jovens continua persistente no país. A taxa de desocupação entre pessoas de 18 a 24 anos de idade ficou acima da média, em 14,1%.

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Para Mauro Rochlin, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas, a manutenção da taxa de desemprego em tempos de baixo crescimento econômico ainda está sendo estudado por especialistas, mas pode ser explicada por vários fatores, entre eles, a entrada mais tardia de jovens no mercado de trabalho. "Os jovens estão permanecendo mais tempo nas escolas e faculdades e demoram para começar a procurar emprego. Além disso, essa taxa de desemprego não é sustentada de pela criação de novas vagas. Se observamos a contabilidade líquida de novos postos do ano passado, podemos notar uma queda de vagas, o que pode ser um problema no futuro", explica Rochlin.

Dólar tem maior alta desde 2004

Reuters

O dólar chegou a subir mais de 2 por por cento nesta terça-feira e foi negociado a 2,83 reais pela primeira vez em mais de dez anos, refletindo o estresse do mercado com a possibilidade de a Grécia deixar a zona do euro e com a desaceleração econômica da China.

Embora parte dos fatores que vêm pressionando a divisa norte-americana nos últimos dias tenham origem nos mercados externos, a deterioração dos fundamentos macroeconômicos brasileiros, a apreensão sobre a atividade doméstica, dúvidas sobre o futuro da Petrobras e fatores técnicos garantiam que a pressão cambial fosse mais intensa aqui.

Às 14h11, o dólar subia 1,92 por cento, a 2,8308 reais na venda. Na máxima da sessão, a divisa alcançou 2,8398 reais, maior nível intradia desde novembro de 2004. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro estava em torno de 850 milhões de dólares.

A utilização do seguro-desemprego também é apontada pelo especialista como um dos motivos pelos quais algumas pessoas deixam de procurar emprego. No entanto, Rochlin ressalta que a proposta de mudança das regras do benefício, que ainda precisa ser votada no Congresso, pode afetar futuramente no número de desocupados. "Nos últimos anos, houve um crescimento exponencial de pedidos do benefício que até então era muito flexível. Muitas pessoas preferiam ficar penduradas no seguro ao invés de procurar novas oportunidades. Porém, com o aperto nas regras, a procura por emprego irá engrossar", explica.

Segundo Cimar Azeredo, coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, comparando o quarto trimestre de 2013 com o de 2014, o crescimento de vagas não conseguiu absorver a demanda de trabalhadores – o número de desocupados subiu 6,6%. "A desocupação aumentou em 400 mil desempregados. O avanço da população ocupada não foi suficiente para segurar a taxa de desemprego. Começamos o ano passado com bons números, mas que caíram nos últimos trimestres", afirma. Ainda de acordo com o especialista do IBGE, os dados do primeiro trimestre deste ano, que devem ser divulgados em março, poderão mostrar melhor a radiografia do impacto do cenário de economia enfraquecida.

Indústria recua

Outra pesquisa, divulgada pelo IBGE, apontou que o emprego no setor industrial mostrou recuo de 3.2% em 2014 ante o ano anterior. O desempenho foi o pior registrado desde 2009. Apesar da taxa de dezembro ter subido 0,4% em relação a novembro, o emprego industrial caiu em 4% na comparação como mesmo mês do ano passado, apontou a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes).

A redução de vagas de trabalho também foram acompanhadas por uma redução no número de horas pagas em todos os locais pesquisados. O resultado mostra a situação difícil que enfrenta o setor que deve contribuir ainda mais para o cenário de recessão do país, de acordo com Rochlin.

"O setor representa hoje 16% do PIB e essa queda de abertura de vagas só continuará acentuando a crise. Nossa indústria não é competitiva nem aqui nem lá fora. A queda na produção acabará puxando para baixo outros setores, que ainda não mostram fortes evidências de crise", afirma.

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