HSBC anuncia “transformação radical” para evitar novas fraudes

Braço de ‘private banking’ da instituição “acolheu um certo número de clientes que não cumpriam totalmente suas obrigações fiscais”, admite o diretor da filial suíça

O especialista em informática Hervé Falciani, que revelou a fraude no HSBC, em 2013.
O especialista em informática Hervé Falciani, que revelou a fraude no HSBC, em 2013. (AFP)

O banco britânico HSBC, o maior da Europa, admitiu que sua filial suíça de private banking (administração de fortunas) abriu contas para sonegadores, no mesmo dia em que um consórcio jornalístico internacional encabeçado pelos jornais Le Monde, da França, e The Guardian, do Reino Unido, revelou que o banco desenvolveu, em 2006 e 2007, um sistema com ramificações em vários paraísos fiscais, de modo a facilitar a evasão de impostos para pelo menos 2.500 clientes.

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Segundo as informações publicadas nesta segunda-feira com base em dados da chamada Lista Falciani, 180 bilhões de dólares (500 bilhões de reais) passaram pela filial suíça do HSBC em esquemas de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo internacional. Na Espanha, os tribunais investigaram os nomes espanhóis de lista elaborada em 2010 pelo especialista em informática Hervé Falciani, um franco-italiano que trabalhou na filial do HSBC em Genebra. Nessa lista, que permitiu à Espanha recuperar pelo menos 260 milhões de euros (819 milhões de reais), havia banqueiros, empresários e esportistas, conforme publicou o EL PAÍS em abril de 2013.

O diretor geral da filial, Franco Morra, disse em nota que o banco já promoveu uma “transformação radical” para evitar atividades de lavagem de dinheiro e fraude fiscal. “O HSBC Prive Bank acolheu um certo número de clientes que não cumpriam totalmente suas obrigações fiscais”, admite o banco. “A cultura de aceitação e os padrões de bom comportamento eram nitidamente inferiores aos atuais.”

Segundo os documentos revelados por Hervé Falciani, o braço suíço do banco ajudou seus clientes a evadirem impostos e ocultarem bilhões de dólares em ativos. Ele entregou a seus clientes maços de dinheiro em divisas de outros países, impossíveis de rastrear, e os aconselhou sobre como evitar as autoridades fiscais.

O passado dos bancos suíços

“No passado”, argumenta o banco em nota, “a indústria do private banking na Suíça operava de uma maneira muito diferente da atual. Os bancos, HSBC incluído, supunham que a responsabilidade de pagar impostos recaía sobre os clientes individuais, e não sobre as instituições onde tinham contas. O private banking suíço era usado tipicamente por indivíduos ricos para gerir sua fortuna de maneira discreta. Apesar de haver numerosas razões legítimas para ter uma conta na Suíça, em alguns casos os indivíduos se aproveitaram do sigilo bancário para ter contas não declaradas. Consequentemente, os private banks, inclusive o braço suíço do HSBC, tiveram um número de clientes que talvez tenham descumprido suas obrigações fiscais”.

O banco assegura ter tomado “medidas significativas nos últimos anos para implementar reformas e excluir clientes que não cumprem os rigorosos padrões do HSBC”. Sua clientela de private banking, sustenta o banco, reduziu-se em 70% desde então. Como resultado das revelações de Falciani, o HSBC enfrenta investigações judiciais por diversos delitos na França, Bélgica, Estados Unidos e Argentina. No entanto, nenhuma ação judicial foi iniciada contra o banco no seu país-sede, o Reino Unido.

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