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Tragédia no México

Explosão em hospital infantil mata ao menos duas pessoas no México

Acidente foi provocado por um caminhão-tanque que abastecia o local em Cuajimalpa Antes, governo havia mencionado sete mortos. Não se sabe o estado dos feridos

Equipes de resgate buscam sobreviventes da tragédia.
Equipes de resgate buscam sobreviventes da tragédia. AFP

O México despertou nesta quinta-feira horrorizado com a explosão de gás em um hospital materno-infantil de Cuajimalpa, no Distrito Federal. As autoridades disseram que houve pelo menos dois mortos –uma mulher e uma criança– e 60 feridos, sete deles, bebês. A explosão, ocorrida durante o fornecimento de combustível à instituição, afetou várias mães que acabavam de dar à luz e também recém-nascidos. Houve momentos de confusão e caos: pacientes fugiam apavoradas das chamas com as crianças nos braços. Uma mulher grávida deu à luz durante seu traslado urgente a outro hospital.

As imagens mostram uma zona devastada. Mais de 75% do edifício, de um único pavimento, desmoronou. Entre os escombros ficaram algumas vítimas, entre as quais um bebê preso debaixo de uma laje, que pôde ser salvo. O Exército tomou parte nas tarefas de resgate. As autoridades acreditam que possa haver mais sobreviventes. O presidente do México, Enrique Peña Nieto, expressou condolências pelo Twitter: “Minha tristeza e solidariedade aos feridos e familiares dos que perderam a vida esta manhã no Hospital Materno-Infantil de Cuajimalpa”.

O fogo teve início às 7h15 durante o suprimento de gás ao centro de saúde, na área das cozinhas, situada ao lado do setor de emergências. A mangueira, segundo a primeira reconstituição, arrebentou e houve um vazamento. As tentativas de freá-lo fracassaram e, por causas ainda desconhecidas, houve a explosão. Pessoas que estavam dentro afirmam que, ao ser detectado o vazamento, o hospital emitiu um alarme. Várias delas saíram da instituição correndo. Em seguida se deu a combustão. Muitos não tiveram tempo de escapar e logo sentiram o impacto. Os vidros das janelas das casas vizinhas se quebraram e a alvenaria das construções balançou. “Podia-se ouvir gemidos muito fortes e gritos de desespero”, conta Ariana Martínez, uma mulher que teve seu bebê no hospital havia uma semana.

O mesmo ocorreu com Elizabeth Pérez. Ela se levantou às 7 para ver televisão e, pouco depois, escutou sirenes e, em seguida, a explosão. “O plástico da minha janela saltou e depois senti um calor muito forte no rosto, e tudo se mexeu como num terremoto.” Pérez vive em uma casa de tijolos e telhado de asbesto, na parte detrás do hospital. No interior da instituição só havia 18 trabalhadores por se tratar do início do expediente; mais de 80 estavam por chegar. “Depois da explosão eu me dei conta de que o hospital tinha caído.” O horror mal havia começado.

Às 9 da manhã toda a área tinha sido esvaziada. O chefe do Governo do Distrito Federal, Miguel Ángel Mancera, afirmou que não havia perigo para os moradores. Durante a manhã, o dirigente da área de Cuajimalpa, Adrián Rubalcava, declarou que havia sete mortos. Horas depois, coincidindo com o secretário do Interior, Osorio Chong, reduziu a cifra para dois, embora tenha ponderado que havia sete vítimas em estado grave. O condutor do caminhão e dois ajudantes foram presos.

O hospital, inaugurado em 1993, conta com 38 camas e 19 consultórios e está localizado na avenida 16 de Setembro, na área do bairro de Contadero. O distrito, Cuajimalpa, tem mais de 180.000 habitantes. É um exemplo a mais dos contrastes da capital mexicana: em seu território está o importante centro financeiro de Santa Fé, que concentra várias das mais importantes sedes corporativas da América Latina, e também muitos bairros da classe trabalhadora. O trajeto de pontos mais centrais da capital até essa zona é complicado: o trânsito em um dia normal pode demandar várias horas e o transporte público é insuficiente. A rede de metrô da capital mexicana não chega até aí. O Distrito Federal ocupa uma superfície de quase 8.000 quilômetros quadrados, o dobro da de Londres, a maior capital europeia, e é oito vezes maior que Madri.

A empresa Gas Express Nieto –contratada pelo Governo do DF desde 2007– foi fundada em 1939 em Santiago de Querétaro como distribuidora de gás liquefeito para uso doméstico. Atualmente, segundo sua página na Internet, conta com mais de 4.000 empregados, 35 unidades distribuidoras em 15 Estados do país: “Isso nos posiciona entre as quatro maiores distribuidoras mexicanas de gás liquefeito de petróleo, dando cobertura a mais de 80% do território nacional e com planos estratégicos de estender nossa rede a todo o país”.

Não é a primeira tragédia na qual a empresa se envolveu. Em 29 de julho na localidade de Cerrito Colorado, Estado de Querétaro, um erro do motorista provocou um escape na mangueira, provocando uma explosão. O acidente teve como saldo dois mortos, incluindo uma menor, oito feridos e 150 pessoas desabrigadas.

Doadores de sangue

Um total de 12 mulheres e 10 bebês foram trasladados ao hospital privado ABC, no mesmo distrito de Cuajimalpa, a 9 quilômetros da instituição alvo da explosão. Ao redor do ABC, situado no coração do centro financeiro e econômico de Santa Fé, se reunia uma centena de pessoas, na maioria jovens, que pediam fraldas, água e doadores de sangue para os feridos levados ao local. Uma dezena de policiais fazia a segurança do local e impede a entrada de estranhos.

Adrián Torres, de 23 anos, aguarda notícias de sua irmã Auria, que justo nesta quinta-feira deu à luz uma menina. Ele diz ter recebido poucas informações, mas havia poucos minutos ficara sabendo que tanto a irmã como a sobrinha estavam estáveis, embora ainda não tenha podido vê-las. “Não nos estão deixando passar”, afirma, enquanto se escuta o constante ruído dos helicópteros que sobrevoam o local.

“Eu me levantei pela manhã, escutei a notícia e logo disse: ‘Vamos!’”. Ele conta que quando chegou ao hospital de Cuajimalpa a zona já estava isolada e levou tempo até conseguir a informação sobre o local para onde haviam levado a irmã e sobrinha. “Agora que nos disseram que estão estáveis, estamos mais tranquilos, mas quando vi como o hospital estava, muitas coisas passaram pela cabeça.

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