Os apagões de São Paulo

Mais de 350.000 ficam sem luz, e Eletropaulo diz que verão é “atípico”

Diretor da Eletropaulo culpa "severidade" de raios e ventos crescente a cada ano por cortes

Moradores do Brooklin, em São Paulo,. protestam por falta de energia, no dia 12.
Moradores do Brooklin, em São Paulo,. protestam por falta de energia, no dia 12.Folhapress

Responsável por fornecer energia elétrica para 6,7 milhões de imóveis na região metropolitana de São Paulo, a concessionária AES Eletropaulo culpa a "severidade" crescente dos verões, com raios e vento mais intensos, pela extensão da cidade afetada pelos apagões temporários. A companhia considera  a situação "atípica".

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Em entrevista ao EL PAÍS, o diretor de operações da companhia, Otávio Grilo, diz que o horário das chuvas de verão, em geral no fim da tarde nesta época do ano, são "imprevisíveis". Nesta terça-feira, 800.000 pessoas ficaram sem energia. Cerca de 24 horas depois, quase a metade, 350.000, continuava sem luz. “É uma situação atípica. Acompanhamos todos os verões, e cada ano a severidade do verão vem aumentando seja pelo vento ou o número de raios”, afirma Grilo.

Segundo o diretor, em até 80% dos casos, razão para as quedas de energia são as árvores que caem sobre a fiação ou os postes de energia. “Ontem [terça-feira] à tarde estava praticamente a casa arrumada, mas novamente veio a chuva com ventos e voltamos a ter problemas”, disse Grilo. Conforme a Eletropaulo, todas as equipes estão em regime de prontidão para atender as demandas.

Enquanto os técnicos não conseguem solucionar os problemas, há moradores e comerciantes de São Paulo que ficam até 48 horas seguidas sem energia. Em alguns casos, as perdas chegam a comprometer o orçamento de todo o mês. “Já joguei duas geladeiras de comida fora”, diz Rafael França, gerente de um restaurante em Higienópolis.

No bairro Rio Pequeno, na zona oeste da cidade, diversas árvores caíram no temporal de terça-feira e os vizinhos reclamavam da falta de luz por mais de 24 horas. “No meu prédio são 120 famílias sem energia desde ontem. Só ao redor do meu condomínio caíram sete árvores”, afirmou massoterapeuta Thiago Bartulihe.

Na semana passada, um hospital de Osasco, na Grande São Paulo, ficou quase dez horas sem luz e, por essa razão, nesta quarta-feira, o Procon multou a Eletropaulo em 3,7milhões de reais.

O prejuízo decorrente dos seguidos dias de cortes de eletricidade não foram calculados pela Eletropaulo, conforme Grilo. Por outro lado, há quem lucre com o prejuízo alheio. Nos últimos dias, lojas que comercializam equipamentos de informática registraram um aumento nas vendas de filtros de linha e estabilizadores, equipamentos que podem proteger eletroeletrônicos durante quedas de energia. Em duas delas consultadas pela reportagem, o crescimento foi de 20%. “Nunca vi tanta gente procurando o filtro de linha. O pessoal está com medo de perder seus eletrodomésticos”, disse Marcos Samuel, vendedor de uma empresa na zona oeste.

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