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China reforça sua presença econômica nos países da América Latina

Pequim aportará 35 bilhões de dólares para financiar vários projetos na região

Nicolás Maduro com empresários chineses, nesta terça, em Pequim.
Nicolás Maduro com empresários chineses, nesta terça, em Pequim.

Já não é segredo que a América Latina é uma prioridade para a China. Depois de uma década em que as visitas de Estado se sucederam de forma ininterrupta em ambos os lados do Pacífico e o comércio bilateral disparou, o gigante asiático quer agora firmar sua presença no subcontinente e tornar-se um ator decisivo em seu desenvolvimento, não só econômico, mas também também político.

O próximo passo em seu processo de aproximação da região é o fórum ministerial entre a China e a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), que acontece em Pequim na quinta-feira e na sexta-feira. Essa nova plataforma multilateral foi criada em julho passado durante a última visita do presidente Xi Jinping à região e representa, para a China, uma via de diálogo com 33 países sem a presença dos Estados Unidos.

“O fórum fortalece e amplia nossa interlocução com a China como potência global e segunda economia mundial. Compartilhamos a vontade de impulsionar iniciativas em campos como o diálogo político, a atração de investimentos e a promoção do comércio e do turismo em benefício da região em seu conjunto”, explica Julián Ventura, embaixador do México na China.

Da reunião sairá o plano de cooperação entre a China e a Celac para o período 2015-2019, pelo qual a China aportará até 35 bilhões de dólares (97 bilhões de reais) por meio de vários fundos para o financiamento de projetos de infra-estrutura e desenvolvimento na região. As condições para a concessão desses empréstimos e seu destino também serão temas a debater no encontro. “Queremos que o investimento não se dirija somente à exploração de recursos naturais, mas se oriente também para âmbitos como o desenvolvimento industrial ou do conhecimento”, explica Juan Miguel Miranda, chefe de chancelaria da embaixada do Peru na China.

A plataforma representa, para a China, uma via de diálogo com 33 países sem a presença dos Estados Unidos

Embora o comércio bilateral entre a China e os membros da Celac tenha praticamente multiplicado por dez em uma década (Pequim é o segundo parceiro comercial da região depois dos Estados Unidos, com um volume de 260 bilhões de dólares), o padrão continua o mesmo: a América Latina vende matérias primas e recursos energéticos e o gigante asiático envia produtos manufaturados. A China pretende dobrar a cifra para 500 bilhões na próxima década. “Serão necessários muitos esforços para alcançar essa meta, já que o comércio já não cresce tanto como em anos anteriores devido à crise econômica”, considera Xu Shicheng, pesquisador do Instituto da América Latina da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS). Equador, Venezuela, Chile e Peru são alguns dos países com forte dependência comercial da China, que se evidenciou depois da desaceleração da segunda economia, a queda dos preços das matérias primas, especialmente do petróleo.

Apesar do desequilíbrio comercial, a China se vangloria de manter com a região relações “baseadas na igualdade, no benefício mútuo e na inclusão”, conforme explicou em entrevista coletiva o diretor geral do departamento para a América Latina e o Caribe do ministério de Relações Exteriores chinês, Zhu Qingqiao. Também encorajou os países da Celac a “usar ativamente” os 35 bilhões de dólares que o gigante asiático porá sobre a mesa, incluídas aquelas nações – 12 ao todo, a maioria centro-americanas – que participarão do fórum, mas não têm relações diplomáticas com Pequim, e sim com Taipé: “Todos os membros da Celac podem solicitar o uso desses recursos”, ressaltou.

Xi Jinping será o encarregado de pronunciar o discurso inaugural das jornadas, lideradas pelo ministro chinês de Relações Exteriores, Wang Yi, do Comércio, Gao Hucheng, e o presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, Xu Shaoshi. Os presidentes da Costa Rica, Luis Guillermo Solís, e Equador, Rafael Correa, estarão acompanhados de uma vintena de chanceleres de toda a região. Soma-se ainda a visita – anunciada de última hora – do líder venezuelano Nicolás Maduro, cuja chegada a Pequim é interpretada como uma tentativa de conseguir outra linha de crédito para socorrer uma economia que sofre com o desabamento dos preços do petróleo.

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