Israel congela o envio de 340 milhões de reais para o Governo palestino

Medida é represália após Mahmud Abbas assinar adesão ao Tribunal Penal Internacional

Abbas assina adesão palestina à Corte Penal Internacional.
Abbas assina adesão palestina à Corte Penal Internacional.REUTERS

Israel anunciou no sábado que vai congelar o envio de 500 milhões de shekels (340 milhões de reais) de impostos arrecadados em nome da Autoridade Palestina que são mensalmente transferidos para o Governo palestino, como represália pela solicitação do presidente Mahmud Abbas para unir-se ao Tribunal Penal Internacional (TPI). Essas transferências são fundamentais para o Executivo palestino, que costuma utilizar esse dinheiro para pagar os salários dos funcionários.

Além disso, segundo uma fonte oficial não identificada, o Governo de Benjamin Netanyahu estuda apresentar denúncias contra dirigentes palestinos por crimes de guerra diante do mencionado tribunal, o que deverá fazê-lo através de organizações não governamentais, já que Israel não assinou o Estatuto de Roma da TPI.

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Na sexta-feira, a administração de Abbas apresentou nas Nações Unidas um documento para ser adicionado a TPI, com a intenção de fazer “justiça para todas as vítimas que foram assassinadas por Israel, o poder ocupante” na Palestina.

O Tribunal de Haia tem jurisdição sobre delitos graves como crimes de lesa humanidade e crimes de guerra. Na chamada Operação Limite Protetor do começo do segundo semestre de 2014, morreram mais de 2.100 palestinos, na maioria civis, e 20.000 casas ficaram destruídas em Gaza. Do lado israelense, morreram 67 soldados e seis civis.

A reação palestina ao anúncio do congelamento da transferência mensal foi precisamente acusar Israel de “um novo crime de guerra” por essa decisão. “Não retrocederemos diante das pressões”, disse o chefe dos negociadores palestinos, Saeb Erekat.

A iniciativa palestina de integrar-se à Corte Penal Internacional foi muito criticada por Israel e também pelos Estados Unidos, o principal aliado do Estado judeu em âmbito internacional. Washington apoia um Estado palestino, mas só após um acordo de paz negociado com Israel.

“Não deveria ser uma surpresa que ocorram consequência por esse passo, mas continuamos revisando a situação", explicou um funcionário do Departamento de Estado que solicitou o anonimato. Os EUA oferecem, anualmente, ajuda para a Palestina no valor de 400 milhões de dólares (1,07 bilhões de reais), um apoio que poderia ser cerceado de acordo com as leis norte-americanas se ficar demonstrado que o dinheiro foi utilizado para realizar novas denúncias contra Israel na TPI.

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