Entre páginas e viagens

Em coleção, autores paulistanos escrevem sobre Bogotá, Buenos Aires, Bangkok e o interior de Pernambuco

Os autores da coleção 'Pequenos exílios' em São Paulo.
Os autores da coleção 'Pequenos exílios' em São Paulo.Bosco Martín

Assim é Bogotá na visão de Tarsila, personagem do livro de estreia de Camila Moraes, repórter do EL PAÍS Brasil. Em Estradas paralelas, parte da coleção Pequenos exílios, lançada pela editora independente Dobra Editorial neste mês de dezembro, Camila escreve sobre sua experiência de viajante em Bogotá, na Colômbia. Ao lado dela, estão o também estreante Roberto Taddei, com Existe e está aqui e então acaba, e os escritores veteranos Paloma Vidal, Três peças, e Tiago Novaes, Os amantes da fronteira.

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A ideia de fazer a coleção surgiu de Camila e Tiago, com a pretensão de contribuir para a literatura de viagem, um nicho consagrado no mundo, mas pouco explorado no Brasil. Eles inscreveram o projeto para um edital do PROAC-SP, Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura do Governo do Estado, por meio da Dobras Editorial, e foi uma surpresa, segundo ela, quando conseguiram o incentivo para lançar a coleção. A ideia era que participassem outras pessoas com a mesma ligação forte com a viagem que eles têm, para que fosse uma composição de olhares pessoais. Todos os autores trazem consigo uma forte relação com a cidade que acabaram escolhendo para representar, e isso se reflete nas obras.

O resultado são quatro narrativas ficcionais sobre quatro cidades, Bogotá, Londres, Bangkok e uma cidadezinha do interior de Pernambuco, sempre com a viagem, ou o ato de viajar, presente. “Os livros são bem diferentes, tivemos liberdade para escrever”, explica Camila, “Paloma, por exemplo, trouxe mais diálogos, como uma peça de teatro”.

Como estreante, Camila conta que participar dessa experiência foi enriquecedor, e fez com que ela levasse o projeto adiante. “Você precisa de um motivo para escrever. E eles me puxaram, mesmo que não intencionalmente. Como eram firmes, eu também tinha que ser”, conta. A escolha da cidade de Bogotá se deu por ter vivido lá durante três anos, quando fez seu mestrado, pela atração que sente e pela relação da cidade com os estrangeiros.

Seu livro conta a história de uma mulher, Tarsila, que mochila pela América do Sul e conhece um homem em Cusco, no Peru, também mochileiro, ao visitar uma loja de CDs e DVDs piratas. Seus caminhos se separam depois de um breve encontro enamorado, e eles seguem viagem, cada um para um lado do continente, mas mantêm contato. Até que ele a chama para morar com ele em Bogotá, sua cidade natal: ela descobre uma cidade e se redescobre.

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