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FERNANDO ALONSO | FÓRMULA 1

Alonso: “Alcançar nossos objetivos na McLaren pode levar tempo”

Piloto volta à escuderia onde viveu fase amarga com contrato que inclui cláusula de fuga

Alonso e Button na apresentação da McLaren. Ampliar foto
Alonso e Button na apresentação da McLaren. Getty Images

A McLaren assegurou há quase três semanas, antes da corrida que encerrou o último Mundial em Abu Dhabi, que não pensava em revelar antes de 1º dezembro os nomes dos seus pilotos na próxima temporada. Finalmente, na quinta-feira, dia 11, a escuderia de Working confirmou um dos segredos mais mal guardados da Fórmula 1 nos últimos meses: o retorno de Fernando Alonso. Na quarta, no meio da tarde, os veículos de comunicação que cobrem o campeonato receberam um convite para o dia seguinte no futurista quartel general da companhia nos arredores de Londres. Horas antes, Alonso havia chegado ao Technology Center em um voo procedente de Dubai.

“A McLaren tem o prazer de anunciar sua equipe para 2015: Fernando Alonso e Jenson Button. Kevin Magnussen continuará ocupando um lugar muito importante como terceiro piloto e reserva”, dizia o comunicado oficial, enviado às 11h30 em ponto (8h30 de Brasília). “Meu primeiro kart era decorado com as cores da McLaren Honda, uma das parcerias mais lendárias na história da Fórmula 1 e a quem agora tenho a sorte de me unir. Estou entusiasmado e muito determinado, e também estou consciente de que alcançar nossos objetivos pode levar algum tempo, mas isso não será um problema. Temos margem, temos esperança e contamos com os recursos necessários. Que a lenda retorne, esse é o nosso objetivo”, declarou Alonso. “Posso assegurar que contamos com a melhor dupla da F-1”, acrescentou Ron Dennis, o executivo-chefe.

Estou entusiasmado e muito determinado, mas sei que alcançar  objetivos pode levar tempo"

Fernando Alonso

O espanhol dividirá a escuderia com Jenson Button, e dessa forma desfaz o caminho que começou a percorrer no final de 2007, quando saiu por vontade própria da formação britânica e buscou refúgio na Renault, depois de um ano no qual comeu o pão que o diabo amassou ao lado de Lewis Hamilton. Segundo suas próprias palavras, o principal motivo da sua saída na época não foi seu rival, diretamente, mas o tratamento que recebeu por parte de Dennis.

Atualmente, Hamilton corre pela Mercedes desde 2013, e será preciso ver que que papel o executivo londrino terá na companhia, depois de retomar o controle no começo do ano. Será interessante verificar como será a convivência dos dois, no caso de ela ser necessária, mas certamente será Eric Boullier, o diretor, quem mediará a situação. Por mais convencimento que as duas partes tentem mostrar, esse desenlace demonstra perfeitamente os apuros que todos atravessam.

Parece evidente que, em outras circunstâncias, seja porque a aventura entre Alonso e a Ferrari estivesse dado frutos ou porque a McLaren não estivesse tão perdida como está, esse reencontro dificilmente teria ocorrido. Alonso, de 33 anos, e Button, de 34, formam a dupla mais veterana do circuito. O mais provável é que os dois dividam as quatro primeiras rodadas de testes do MP4-30, que ocorrerão no começo de fevereiro, em Jerez.

Os cerca de 35 milhões de euros (115 milhões de reais) por temporada que Alonso receberá, o maior contrato assinado na história da categoria, provavelmente irão ajudá-lo a cicatrizar as feriadas que ainda possam estar abertas. O acordo foi redigido para duas temporadas (2015 e 2016) mais uma terceira opcional (2017), ainda que também estipule cláusulas de quebra de contrato. Esse é o ás que o bicampeão do mundo de 2005 e 2006 tem na manga para poder abandonar a McLaren caso apareça uma opção mais atrativa, especialmente se quem bater na sua porta for a Mercedes.

O próximo capítulo está cheio de incógnitas, começando pelas geradas pelo novo motor dos carros prateados. Depois de seis anos, a Honda decidiu voltar para a F-1, ainda que somente como fornecedora de motores. O empenho da marca da asa dourada foi definitivo no momento de convencer Alonso a abandonar a Ferrari depois de cinco anos de promessas que ele considerava não cumpridas do ponto de vista técnico. Entretanto, será necessário esperar os testes para poder avaliar um pouco melhor as possibilidades de sua proposta. O primeiro contato, em Abu Dhabi, não foi muito animador: duas voltas em dois dias inteiros.

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