A AMEAÇA JIHADISTA

Jihadistas matam 150 integrantes de uma tribo sunita do Iraque

Membros da Albu Nimr se opunham ao avanço dos extremistas em Al Anbar

Soldados das forças curdas iraquianas (peshmerga) patrulham um bairro de Musul, norte do Iraque, na quarta-feira.
Soldados das forças curdas iraquianas (peshmerga) patrulham um bairro de Musul, norte do Iraque, na quarta-feira.

Os corpos de 150 membros de uma tribo sunita do Iraque, Albu Nimr, que lutavam contra o grupo Estado Islâmico (EI) foram encontrados na quinta-feira em uma vala comum em Ramadi, capital de Al Anbar, segundo responsáveis iraquianos da área de segurança, citados pela agência Reuters. Ao que parece, o jihadistas os levaram de seus povoados para essa cidade, onde foram mortos e enterrados na noite de quarta. A brutalidade da ação envia, sem dúvida, uma poderosa mensagem para as tribos dispostas a cooperar com o Governo de Bagdá para impedir o avanço rebelde.

A notícia da matança surge poucas horas depois do EI se gabar, nas redes sociais, de ter matado meia centena de membros da mesma tribo na localidade de Hit, tomada pelo grupo no começo do mês. Nas fotos publicadas por contas ligadas aos extremistas, podem ser vistas fileiras de cadáveres. O correspondente do Iraqi News fala de 55 mortos. Testemunhas citadas pela Reuters elevam a cifra para 70, ainda que o número não tenha sido confirmado oficialmente.

Líderes tribais asseguram que os dois grupos de vítimas fazem parte dos 300 homens entre 18 e 55 anos, detidos pelos extremistas desde que tomaram o controle da região. Começaram, então, a deter integrantes desse clã em represália por sua oposição ao controle do EI, e assassiná-los a sangue frio. De fato, alguns moradores citados pelos veículos de comunicação iraquianos contaram que os líderes da tribo conseguiram recuperar várias dezenas de corpos antes que os últimos incidentes fossem conhecidos.

Mais informações

Os simpatizantes do EI acusam os homens de Albu Nimr de serem membros da Sahwa, literalmente Despertar, as milícias sunitas formadas pelos EUA para vencer a Al Qaeda antes de sua retirada do Iraque. Agora, o Governo de Haidar al Abadi tenta conseguir uma ajuda similar das tribos sunitas para enfrentar a nova encarnação daqueles extremistas e evitar que sua ideia de sectarismo volte a colocar o país em uma guerra como a de uma década atrás.