Rússia reconhecerá o resultado das eleições do leste da Ucrânia

Separatistas convocaram pleitos paralelos para domingo em Donetsk e Lugansk

A Rússia reconhecerá as eleições no leste da Ucrânia. (reuters_live)

A Rússia reconhecerá os resultados das eleições legislativas convocadas para o próximo domingo pelas autoproclamadas autoridades das regiões separatistas ucranianas de Lugansk e Donetsk. A confirmação disso foi feita nesta terça-feira pelo chanceler russo, Serguei Lavrov, em entrevista no jornal Izvestia, segundo a agência Efe.

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Esse pleito será realizado apenas uma semana depois das eleições legislativas para a Rada Suprema (Parlamento em Kiev), organizadas pelo Estado ucraniano, com a participação de 52,45% do eleitorado. A Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), que monitorou o processo eleitoral, descreveu a votação como “transparente”.

Com 84% dos votos apurados em nível nacional, o partido do primeiro-ministro pró-europeu da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, lidera com 22%. Em segundo lugar, um ponto percentual atrás, aparece o partido do presidente Petro Poroshenko.

Lavrov acusa as duas partes de continuarem os confrontos armados no leste da Ucrânia

“Esperamos que as eleições [nas regiões separatistas do leste] ocorram conforme foi definido, e é obvio reconheceremos seus resultados”, declarou Lavrov na entrevista, também difundida pelo canal de TV LifeNews.

O Governo de Kiev, por sua vez, advertiu que as eleições “não devem ocorrer”, segundo a rede britânica BBC. Lugansk e Donetsk, onde não houve votação no domingo passado, têm cerca de três milhões de eleitores.

O chefe da diplomacia russa indicou que o pleito previsto para o próximo dia 2 nessas duas regiões é “uma parte muito importante” dos acordos de Minsk, onde em 5 de setembro representantes de Kiev e dos separatistas assinaram uma trégua com vistas ao fim do conflito no leste da Ucrânia.

Lavrov declarou que a violência no leste de Ucrânia – a qual, segundo fontes pró-russas citadas pela Efe, custou a vida de 4.000 cidadãos, em sua maioria civis – vinha “dos dois lados”, em grande parte devido ao fato de nenhum deles ser capaz de traçar a linha a partir do qual armas e tropas devem ser retiradas, segundo a agência France Presse. Tal delimitação “ainda está por determinar", segundo ele.