Diretora do Serviço Secreto dos EUA renuncia após falhas de segurança

Julia Pierson foi a primeira mulher a liderar aquela que é vista como a agência de segurança mais preparada do mundo

Foto de arquivo de Julia Pierson.
Foto de arquivo de Julia Pierson.JIM LO SCALZO (EFE)

A diretora do Serviço Secreto dos EUA, Julia Pierson, apresentou sua demissão na tarde de quarta-feira, como consequência das graves falhas de segurança registradas na Casa Branca há dez dias e da revelação de que um homem armado subiu em um elevador junto com presidente Barack Obama em Atlanta. Ao fazer o anúncio, o porta-voz presidencial Josh Earnest disse que Obama aceitou a demissão de Pierson, apesar de ter declarado que confiava nela, porque ela considerou que isso seria o melhor “para o país e para o Serviço Secreto”.

No último dia 19, um homem armado com uma faca conseguiu saltar as grades da Casa Branca e chegar à escadaria que dá acesso aos aposentos privados da família Obama. Nenhum membro da família se encontrava em casa naquele momento. Omar González, 42 anos, veterano da guerra do Iraque, estava armado com uma faca e conseguiu dominar um membro do Serviço Secreto que acabava de concluir seu expediente. Os agentes encontraram mais tarde até 800 projéteis no carro de González.

Além de revelar uma tremenda incompetência do Serviço Secreto, esse incidente destroçou o mito de inviolabilidade da Casa Branca, vista até então como um dos edifícios mais bem protegidos do mundo. Três dias antes, em 16 de setembro, durante visita aos Centros de Prevenção e Controle de Doenças (CDC, siglas em inglês), em Atlanta, o presidente já havia dividido elevador com um prestador de serviços que estava armado e tinha antecedentes penais, segundo revelação feita na noite de terça-feira pelo The Washington Post.

O jornal da capital tem feito várias revelações sobre os erros cometidos por uma agência cuja missão é defender, se necessário com a vida dos seus funcionários, a integridade do presidente dos Estados Unidos. Sobre a invasão na Casa Branca, o Serviço Secreto ofereceu em primeiro lugar uma verdade incompleta, declarando que González havia sido dominado assim que entrou na residência presidencial.

Algo semelhante ocorreu com um incidente ocorrido em novembro de 2011 e sobre o qual o Post revelou agora uma fotografia mais completa. Na ocasião, um homem fez disparos contra a Casa Branca com um rifle semiautomático, e só quatro dias depois o Serviço Secreto admitiu o ocorrido, já que, num primeiro momento, os estampidos foram atribuídos a ruídos normais da rua, como um cano de escapamento.