Milhares de pessoas protestam contra suspensão de referendo na Catalunha

Manifestantes repudiam decisão da Justiça suspendeu a consulta sobre a soberania da região

Manifestantes se concentram na praça de Sant Jaume.
Manifestantes se concentram na praça de Sant Jaume.ALBERT GARCIA

Milhares de pessoas se concentram na tarde desta terça-feira em frente a prefeituras da Catalunha, na Espanha, para protestar contra a decisão do Tribunal Constitucional da Espanha, que suspendeu a convocação de um referendo sobre a independência da região, que seria realizado em 9 de novembro. Os manifestantes gritaram lemas a favor da independência, do 9-N (como ficou conhecido movimento, em referência ao dia que seria a consulta popular), e contra a Corte por suspender a consulta.

Essa foi a primeira mobilização popular contra a decisão do Alto Tribunal. As concentrações foram convocadas pela Assembleia Nacional Catalã, a entidade que realizou o pedido da mobilização coincidindo com a comemoração da Diada (Dia da Catalunha) dos três últimos anos. Da mesma forma que a outra comemoração, os partidos a favor da soberania participaram da convocação.

Barcelona foi palco da manifestação mais numerosa. A convocação era para às 19h (14h, no horário de Brasília) mas a praça de Sant Jaume já estava lotada 20 minutos antes da hora. A chuva não afastou os participantes, que não paravam de gritar: “Votem! Independência!”. Protegendo-se com guarda-chuvas, vestidos com camisetas amarelas e portando cartazes, os manifestantes encheram a praça Sant Jaume. Em uma esquina da praça está instalado um relógio com a conta dos dias, horas e minutos que faltam para a realização da consulta. Sobre ele, os independentistas colocaram um cartaz no qual se lê, em catalão: “Um país pequeno que entre todos nós faremos muito grande”. Vários dos manifestantes portavam grandes urnas de papelão e alguns traziam por cima dos guarda-chuvas letras gigantes nas quais se lê: “Seremos livres”.

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Um porta-voz da ANC leu um manifesto no qual lamentou que o Tribunal Constitucional pretenda “calar” os catalães. Carme Forcadell, líder do coletivo, lembrou que a consulta goza do apoio de 80% dos deputados do Parlamento e que 90% das Prefeituras catalãs aprovaram moções em favor do 9-N. Após relembrar que o conflito é de caráter político e não jurídico, Carme Forcadell, que terminou encharcada pela chuva, disse: “Nem a chuva, nem a neve, nem nenhum Tribunal Constitucional conseguirá nos parar”.

“Nada acabou ontem. A determinação é prosseguir”

Miquel Noguer

O Governo da Catalunha decidiu nesta terça-feira adotar “iniciativas jurídicas, políticas e institucionais” depois de o Tribunal Constitucional da Espanha suspender o decreto de convocação e a lei catalã de consultas soberanistas. Depois da reunião semanal do Governo catalão, o conselheiro porta-voz, Francesc Homs, acrescentou a Generalitat (o Governo catalão) solicitará a revogação da suspensão e a retirada do recurso.

“Nada acabou ontem, a determinação do Governo é prosseguir, e faremos as coisas cumprindo os compromissos”, afirmou.

A Generalitat não dá por perdida a batalha judicial e apresentará alegações contra a suspensão da consulta, para continuar tentando realizá-la em 9 de novembro. Homs manifestou o desejo de que essas impugnações sejam resolvidas com a mesma rapidez “supersônica” que o Tribunal Constitucional empregou para resolver o recurso do Governo.

Toda a intervenção de Homs foi no sentido de assegurar que o Governo de Artur Mas não recuará no processo da consulta, uma ideia que poderia causar inquietação nas bases soberanistas. O argumento é que a consulta “está suspensa, não anulada”, e que o Governo espanhol promoveu “uma operação de Estado” para minar a vontade majoritária dos catalães. Homs, aliás, convocou implicitamente uma mobilização para assegurar que o processo soberanista continuará “enquanto houver unidade política e mobilização das pessoas”. Dezenas de milhares de catalães se mobilizaram nesta terça-feira contra a suspensão do referendo.