Julianne Moore: “De diva só tenho os sapatos”

Para a atriz, tudo em torno de Hollywood é o seu trabalho. Prefere desfrutar sua vida familiar longe de Los Angeles

Julianne Moore, no festival de Toronto, em setembro.
Julianne Moore, no festival de Toronto, em setembro.

Com Julianne Moore tudo parece simples. Embora a atriz norte-americana, de 53 anos, tenha interpretado alguns de seus melhores papéis femininos nos últimos anos, trabalhos que a levaram a ser indicada quatro vezes ao Oscar, por Boogie Nights – Prazer sem Limites (1997), Fim de Caso (1999), As Horas (2002) e Longe do Paraíso (2002), ela não vive o estrelato e a exposição que rodeiam algumas companheiras de profissão de sua geração, como Nicole Kidman ou Cate Blanchett. Mas pelo menos uma coisa ela tem em comum: seus passeios pelos tapetes vermelhos são espetaculares. Ainda assim, Julianne Moore não tem pose de deusa. E em sua vida pessoal não há escândalos. Forma um dos casais mais estáveis de Hollywood com o diretor Bart Freundlich, de 44 anos. Juntos há 11 anos, o casal –o segundo casamento dela– tem dois filhos.

Prestes a ser novamente candidata a conquistar finalmente a cobiçada estatueta de pouco mais de trinta centímetros, por seu trabalho em Mapa para as Estrelas, Moore não esconde sua alegria, mas deixa claro o quanto está distante de sua personagem de atriz despótica, a menos que lhe possa render seu primeiro Oscar.

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Pergunta. Olhando de fora, sempre nos fixamos nos egos, as divas, os golpes de Hollywood. É o que você vive no cotidiano, sendo parte dessa indústria?

Resposta. Adoro ser atriz, o cinema, contar histórias. Mas esse é o meu trabalho. Minha vida é o meu marido, meus filhos, minha casa, nosso cachorro. E por mais expectativas que as boas críticas me tragam, eu me sinto genial quando minha filha começa o ano na escola ou meu filho está feliz com a namorada. Freud disse que é preciso de trabalho e amor para se manter o equilíbrio, e é verdade.

P. Não tem um lado diva?

R. Pergunte a meu marido e ele dirá: meus sapatos. Sempre me diz isso: de quantos você precisa?

P. Precisa de mais do que Imelda Marcos [ex-primeira-dama filipina, dona de mais de mil pares de sapatos]?

R. Não chego a isso nem de longe. Tenho muitos pares. Os Birkenstocks, os formais, os marrons, azuis, brancos, outros franceses, estes de Nicholas Kirkwood…

P. Parece o guarda-roupa de Sarah Jessica Parker, ícone da moda depois de ser a alter ego de Carrie Bradshaw (protagonista da série Sex in the City) durante seis anos.

R. Não o conheço, mas não reclamo do meu guarda-roupa. É o melhor que já tive.

P. Qual é sua peça de roupa preferida?

R. Provavelmente o vestido que usei no festival de Cannes para a estreia de Mapa para as Estrelas. Um de meus favoritos, da Chanel, tão bem desenhado que se vestia como uma camiseta. E com plumas! É uma das vantagens de ser atriz, o a acesso à moda, que é algo que me encanta.

P. E depois, o que faz com todo o vestuário? Porque eu suponho que usa uma vez e depois não os volta a usar.

R. Sim, nunca volto a vesti-los. Os que têm algum significado eu guardo para o caso de algum dia minha filha usar (hoje ela tem 12 anos). E dei muitos vestidos ao estilista Tom Ford para que abra de uma vez seu museu.

Julianne Moore também alterna sua prolífica carreira como atriz com o trabalho de escritora de livros infantis. Mas sua maior preocupação continua sendo a família, para a qual continua contando com a ajuda de quem antes foi sua babá e hoje é indispensável em seu dia a dia de mãe dedicada e não de estrela que vive em Nova York, longe das festas e dos paparazzi.

P. Continua sem transferir sua residência para Los Angeles.

R. Minha primeira viagem a Hollywood foi com minha irmã e fizemos tudo o que nos cabia fazer como turistas. A lembrança que guardei é que tudo parecia saído de Superdetective in Hollywood, algo que continuo achando engraçado.

P. Agora anda de braços dados com uma Hollywood mais jovem, em seu novo filme, ao lado de Robert Pattinson; em Pra Sempre Alice, com Kristen Stewart, com Jennifer Lawrence em Jogos Vorazes: A Esperança

R. Robert é um encanto. Tão tagarela... Não esperava que fosse assim. E pessoas como Jennifer... É assim tão jovem, mas, como digo a meus filhos, fico espantada com o exemplo que dá alguém que não tem nem... 24 anos? [a atriz oscarizada completou essa idade em agosto]

P. O que você pensa sobre a pressão que os jovens enfrentam, sobretudo os jovens famosos, nas redes sociais?

R. Pode me chamar de velha, mas eu me distanciei da cultura da internet. Levará muito tempo até que saibamos utilizá-la com propriedade. Tive uma página no Facebook por dois minutos para ver o que era. E encerramos a conta do Instagram da minha filha até que entenda o que isso acarreta. Não gosto das selfies, não gosto desse culto da imagem.

P. Um conselho para manter um corpo Moore?

R. As batatas fritas. As que você não come. Acho engraçado que agora o The New York Times venha com um estudo dizendo que os carboidratos são o maior problema da nossa dieta. Qualquer atriz teria dito isso pra você há anos! Antes de uma filmagem tento comer menos e de modo saudável, mais frutas e verduras, menos pão e massa. Faço exercícios aeróbicos e ioga. Mas não sou nenhuma santa e entre as filmagens me deixo levar pela tentação.

P. E a idade? Preocupa-se com o envelhecimento?

R. Nos Estados Unidos sempre que se fala de idade se fala de perda. Como se alguém quisesse voltar aos 20 anos! Amadurecer também significa ganhar em conhecimento, e isso é um privilégio. Porque nosso maior medo do envelhecimento é a mortalidade, e isso sim está fora de nosso controle.