A ameaça jihadista

Obama diz ter autoridade para atacar o EI sem o apoio do Congresso

O presidente explica sua estratégia aos cidadãos nesta quarta-feira

Obama faz pronunciamento sobre a estratégia para combater a ameaça jihadista nesta quarta-feira.
Obama faz pronunciamento sobre a estratégia para combater a ameaça jihadista nesta quarta-feira.Charles Dharapak (AP)

Barack Obama está disposto a enfrentar o Estado Islâmico sem o apoio do Congresso. O presidente dos Estados Unidos comunicou nesta terça-feira aos líderes da Câmara dos Deputados e do Senado que seu plano de ação contra o grupo jihadista não requer aprovação parlamentar. “O presidente disse aos líderes que tem a autorização que necessita para agir contra o EI de acordo com a missão que será anunciada amanhã [em um pronunciamento na quarta-feira] pela noite”, informou a Casa Branca em um comunicado depois da reunião entre o presidente democrata e os líderes de ambas as câmaras.

Com a proximidade das eleições legislativas em novembro deste ano, um voto no Capitólio não é desejado por ninguém. Tanto os líderes democratas no Senado quanto os republicanos na Câmara preferem abster-se de um voto que autorize o uso da força, já que as consequências sobre o eleitorado podem ser prejudiciais em novembro. Sem votar, e se a estratégia da Casa Branca der certo, todos podem juntar-se à vitória. Se o plano do presidente falhar, os que tiverem dado seu apoio pagarão com seus assentos.

A Resolução dos Poderes de Guerra de 1973 exige que o presidente dos EUA consulte o Congresso antes de lançar as forças armadas norte-americanas em combate, mas permite que as tropas fiquem posicionadas durante 60 dias antes que o mandatário tenha conseguido a mencionada aprovação parlamentar.

A decisão de Obama de agir unilateralmente não exclui, no entanto, seu desejo de contar com o apoio parlamentar, que legitimará sua estratégia contra os jihadistas sunitas. O presidente democrata manifestou aos líderes parlamentares de ambos os partidos que “daria as boas-vindas” às medidas aprovadas pelo Capitólio que “ajudarão o esforço conjunto e demonstrarão ao mundo que os EUA estão unidos para derrotar a ameaça do EI”.

“Reiterou sua convicção de que a nação é mais forte e nossos esforços são mais efetivos quando o presidente e o Congresso trabalham conjuntamente para combater uma ameaça de segurança nacional como o EI”, acrescentou o comunicado. A Casa Branca classificou a reunião como um “debate produtivo” e destacou que os representantes democratas e republicanos manifestaram “seu apoio aos esforços de enfraquecer e finalmente destruir o EI”.

Para finalizar sua estratégia, Obama se reuniu na segunda-feira em um jantar de mais de três horas com nove especialistas em política exterior. E, na terça-feira pela manhã, foram divulgados os resultados de uma nova pesquisa do jornal The Washington Post e da rede de TV ABC News revelando que nove de cada dez norte-americanos acreditam que o grupo jihadista Estado Islâmico é uma ameaça séria.

Seis de cada dez consideram a ameaça “muito séria”. As decapitações de dois jornalistas norte-americanos pelas mãos do famoso Estado Islâmico, divulgadas pelas milícias por meio de um vídeo na Internet, provocaram uma mudança brusca na opinião pública do país, cuja aprovação aos bombardeios dos EUA sobre o Iraque e a Síria agora está em 71%. Há três semanas, essa porcentagem era de 54% e, antes de junho, de apenas 45%.

Essa nova sondagem sobre o que o país sente –esta quinta-feira marca o 13o aniversário dos ataques de 11 de setembro– coincide com os últimos detalhes do plano de ataque do presidente para aniquilar o EI, estratégia que será anunciada nesta quarta-feira à nação em horário nobre na TV, às 21h (22h em Brasília). Durante esse pronunciamento ao país, Barack Obama deverá concretizar como pensa em “enfraquecer e finalmente destruir” o grupo extremista sunita que já controla um amplo território da Síria e o norte do Iraque.

O discurso que o presidente realizará nesta quarta-feira acontece exatamente um ano após 10 de setembro de 2013, data de um dos episódios talvez mais vergonhosos de sua administração, quando Obama voltou atrás e, em um pronunciamento no Congresso, anunciou à nação que desistia de seus planos militares de atacar o regime sírio de Bashar al Assad, entre outras razões, porque existia um alto risco de rejeição no Capitólio e porque a opinião pública se mostrava contrária a outra aventura militar no Oriente Médio.

Doze meses depois, na Casa Branca, Obama se dispõe a explicar aos cidadãos por que são necessários ataques aéreos contra os jihadistas do EI na Síria e como pretende conduzi-los sem que estes beneficiem o ditador Assad, também perseguido pelas milícias determinadas a criar um califado do terror.

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