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O PSB indica o nome de Beto Albuquerque como o vice de Marina

O deputado pelo Rio Grande do Sul, reeleito quatro vezes, era o homem de confiança de Eduardo Campos

Beto Albuquerque (à direita) em um ato de campanha em julho.
Beto Albuquerque (à direita) em um ato de campanha em julho. folhapress

O PSB fechou consenso em torno do nome de Beto Albuquerque, deputador federal pelo Rio Grande do Sul, como o vice de Marina Silva na disputa pela Presidência. A oficialização do seu nome deve ocorrer nesta quarta-feira, em Brasília, durante a reunião da executiva nacional da legenda para homologar a chapa que concorrerá nas eleições de outubro. Albuquerque, homem de confiança de Eduardo Campos e que traz na bagagem uma longa carreira nas fileiras socialistas.

Líder do partido na Câmara dos Deputados, até a morte de Campos, ele concorria a uma vaga no Senado pelo PSB. Ele tem em seu currículo dois mandatos na Assembleia Legislativa, quatro anos como secretário estadual dos Transportes do governo Olívio Dutra (PT) (1999 a 2002), quatro mandatos consecutivos na Câmara. Ele se licenciou entre 2010 e 2012 para atuar como secretário de Infraestrutura e Logística do governador gaúcho Tarso Genro (PT).

Renata Campos, viúva do ex-governador de Pernambuco era outro nome possível, mas pesou a decisão de se dedicar aos cuidados com os seus cinco filhos.

Nesta segunda, em um ato no Recife (Nordeste), reduto eleitoral de Campos, Renata chegou respaldada por gritos de apoio a uma candidatura a vice. Na ocasião, que marcava também o seu aniversário, disse que não deixará de participar da campanha, naquele que foi o seu primeiro pronunciamento público após a morte do marido.

“Buscamos um consenso. Temos várias e excelentes opções para dar continuidade à chapa entre PSB e Rede, que funcionou muito bem. A decisão vai ser tomada mesmo na quarta”, afirmou, cauteloso, Maurício Rands, coordenador do programa de governo de Campos, em referência ainda à Rede Sustentabilidade, movimento de Marina Silva que não obteve registro para disputar as eleições, mas que conta com forte influência nos desígnios da chapa.

Junto com a cúpula do partido e líderes de outros partidos, Rands participou nesta terça-feira da missa de sétimo dia de Eduardo Campos na Catedral de Brasília, no início da tarde. Ao longo do dia, estavam previstas várias reuniões para se buscar um consenso sobre o nome do vice, já que ninguém mais parece duvidar que o de Marina Silva será confirmado nesta quarta como cabeça de chapa. Ainda mais depois da divulgação da primeira pesquisa de intenção de voto após a morte de Campos, e que recoloca diretamente a chapa, até então na terceira posição, com grandes chances de ir ao segundo turno e até derrotar a presidenta Dilma Rousseff.

Segundo o instituto Datafolha, Marina obteria 21% dos votos, enquanto o candidato Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), teria 20%. Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), se manteria na liderança com 36% das preferências do eleitorado. Em um segundo turno com a atual presidenta, no entanto, a ambientalista apontada como sucessora de Campos conquistaria 47% dos votos, contra 43% da provável adversária. As candidatas estariam tecnicamente empatadas, mas cientistas políticos não descartam que a comoção com a morte trágica do ex-governador de Pernambuco poderia dar a vitória a Marina.

Uma das condições para que a ambientalista - que chegou em terceiro lugar na última disputa presidencial, apresentando-se como uma novidade e uma terceira via à já polarizada disputa entre PT e PSDB nos últimos anos no país - possa ser efetivamente confirmada como o nome principal da chapa do PSB ao Planalto é honrar os acordos costurados por Eduardo Campos nos Estados, como em São Paulo, governado pelo PSDB e o mais populoso do país.