CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Gaza passa pelo segundo dia de violência após ruptura da trégua

Os bombardeios israelenses causaram 10 mortes desde o fim do cessar-fogo, na sexta-feira As facções palestinas que negociam no Cairo classificam suas demandas de "irrenunciáveis"

Moradores tentam resgatar pessoas presas em ruínas de mesquita.
Moradores tentam resgatar pessoas presas em ruínas de mesquita. (AFP)

Os 30 ataques aéreos lançados pelo Exército israelense sobre a Faixa de Gaza durante este sábado causaram a morte de ao menos cinco palestinos. As milícias de Gaza, por seu lado, lançaram seis foguetes em território israelense. É o segundo dia de enfrentamento depois que, na sexta-feira, foram retomados os ataques sobre Gaza após o fim da trégua de 72 horas acertada entre Israel e as facções palestinas.

A delegação das facções palestinas que negocia no Cairo considera sua demandas "claras e irrenunciáveis", ainda que não tenha problema em dialogar diretamente com Israel, afirmou neste sábado o integrante do Fatah Azam al Ahmed, que lidera o grupo. Em declarações à imprensa, Al Ahmed expressou sua esperança de que as próximas horas serão "decisivas".

O Exército de Israel confirmou que, somente durante a última noite, alcançou 33 "objetivos" na Faixa, o que eleva a uma centena o números de bombardeios lançados desde sexta-feira pela manhã, de acordo com o jornal Haaretz. Os serviços de emergência de Gaza, por sua vez, informaram a morte de dois palestinos que viajavam a bordo de uma motocicleta e que foram atingidos por um bombardeio na localidade de Al Maghazi. Disseram também que os corpos de outros três foram retirados dos escombros da mesquita Al-Qassam no acampamento de Nuseirat, no centro do enclave.

O Ministério do Interior palestino afirmou que os aviões israelenses destruíram três mesquitas, a de Nuseirat, uma em uma área de Zeitoun e outra em Jabaliya, no norte. "Escutamos uma forte explosão e depois dela continuaram muitas outras", disse Jood Irhaem, cujo domicílio fica perto de um dos templos bombardeados, à agência France Presse. "Depois veio um chamado aos moradores para que saíssem da área e que se mantivessem afastados. Minutos depois, houve duas explosões muito mais fortes".

Israel disse que militantes palestinos dispararam neste sábado seis foguetes contra seu território, o que eleva a 44 o número de projéteis lançados contra o Estado judeu desde o fim da trégua de 72 horas. Um civil e um soldado ficaram feridos na sexta-feira, mas no sábado não houve nenhuma vítima registrada. O Governo de Israel também comunicou que realizou cerca de 100 ataques em Gaza desde sexta, 30 deles desde meia-noite. Médicos palestinos disseram que ao menos 10 pessoas morreram e que mais de 40 ficaram feridas desde o fim da trégua.

O conflito, que acaba de completar um mês, voltou a irromper após uma trégua que os mediadores não foram capazes de estender. O cessar-fogo expirou na sexta-feira de manhã (madrugada no Brasil), depois que militantes palestinos romperam o silêncio com o lançamento de seus foguetes a partir das primeiras horas da madrugada. Muitos palestinos que durante a trégua tinham retornado para casa tiveram que voltar a se refugiar em escolas.

A luta entre Israel e Hamas matou cerca de 1.900 palestinos e 67 israelenses, quase todos soldados, desde 8 de julho. A ONU afirma que ao menos 1.354 palestinos mortos eram civis e que a cifra inclui 447 crianças.

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